Câmara de Paredes comemorou 45 anos do 25 de abril com descerrar...

Câmara de Paredes comemorou 45 anos do 25 de abril com descerrar de placa em memória de Santos Grácio

Representantes dos diversos partidos políticos invocaram valores de Abril e a necessidade de continuar a cumprir e a defender os ideias de Abril. Chefe do executivo recordou que com a Revolução dos Cravos país evoluiu, foram conquistados direitos e liberdades e o país adquiriu uma nova dinâmica do ponto de vista económico assim com o concelho de Paredes.

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A Câmara de Paredes assinalou esta quinta-feira o 45.º aniversário da Revolução dos Cravos  com a habitual sessão solene que contou com o presidente da Assembleia Municipal, Batista Pereira, do presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, os representantes dos partidos políticos assim  com vários autarcas e cidadãos paredenses.

A cerimónia comemorativa da Revolução dos Cravos integrou, também, o descerrar de uma placa em memória de Santos Grácio, um paredense defensor dos ideais da democracia, que esteve ligado ao União Sport Clube de Paredes, à Misericórdia de Paredes e ao antigo hospital.

Baptista Pereira recordou que o 25 de Abril foi o despertar de Portugal para o mundo, um mundo de que estava afastado por um regime “puritano e hipócrita, discricionário, altamente corrupto e falsamente protetor”.

“Como escreveu o poeta Manuel Alegre foram  dias,  foram anos a esperar por um só dia. Este e todos os anos neste dia recordamos a transformação de uma sociedade forçadamente cega, surda e muda e de uma cultura egocêntrica, do orgulhosamente só”, disse, salientando que com o eclodir da Revolução dos Cravos, Portugal passou a partilhar  livremente o conhecimento do mundo e a entender o atraso de décadas em que o país se encontrava.

Parafraseando  Sophia de Mello Breyner Andresen recordou: “Esta foi a madrugada que eu  esperava. Todos os anos vivemos esta data, para que não se repita a intolerância, a ditadura, a coartação da liberdade e pensamento e da ação de cada um e de todos”, expressou, sustentando que todas as revoluções têm heróis e mártires da liberdade que não podem ser esquecidos para que nos fique na memória que as revoluções não são isentas de perigo.

Baptista Pereira revelou que o combate à intolerância faz-se pela divulgação do conhecimento, a promoção da cultura e da educação, realçando  que as diferenças resolvem-se pelo diálogo.

“O dia 25 de Abril deverá ser sempre recordado como um dia de vitória, mas também como um aviso às gerações futuras. Dias como estes não serão necessários se não permitirmos a instalação de extremismos, ditaduras, de regimes opressivos e autoritários. Tudo depende de nós….É preciso continuar a avisar toda a gente, dar notícias, informar e prevenir”, acrescentou.

Jorge Ribeiro, representante do CDS-PP, invocou os valores de Abril, mostrou-se preocupado com o crescente fosso entre eleitos e eleitores, recordando que esse fosse se possa tornar uma das mais visíveis contradições, daquilo a que se convencionou chamar direito de voto.

“Só assim podemos respeitar a memória daqueles que ao longo de várias décadas lutaram pela liberdade para que tal direito fosse uma realidade. Mas se o direito de voto era uma constelação cénica pré-eleitoral e eleitoral antes do  254 de Abril de 1974 será que o não será nos dias de hoje?  Espero continuar a acreditar que a resposta a tal pergunta seja negativa, porque só assim dias como o de hoje fazem sentido”, atalhou, defendendo a necessidade das crianças e dos mais jovens saberem o significado  do 25 de Abril.

Jorge Ribeiro, na sua intervenção, atalhou, também, que o 25 de Abril de 1974 não pode ser separado do 25 de Novembro de 1975, lamentando que a Assembleia Municipal, no ano passado, tenha chumbado uma moção apresentada pelo CDS-PP que visava reconhecer o 25 de Novembro como parte integrante de um processo que iniciou com o 25 de Abril.

“A liberdade e a democracia não se esgotam numa data. O corpo da democracia e da liberdade tem  duas pernas e duas datas Celebrar Abril de 1974 esquecendo o 25 de Novembro de 1975 é uma amputação da história. Se o 25 de Abril de 1974 foi o episódio primeiro da conquista da liberdade o 25 de Novembro de 1975 foi o da sua consolidação”, avisou, criticando os a proliferação de falsos perfis, o insulto de forma gratuita a quem tem uma opinião e a expresse publicamente como forma de inibir terceiros a tornar públicas as suas convicções, as fake news, em claro contraste com os ideais de Abril.

Nuno Serra, PSD Paredes, recordou que foi há 45 anos que um pequenos grupo de homens corajosos dava corpo a um sentimento existente em todos os portugueses e em poucas horas conseguiram deixar para trás momentos de ditadura fascista  e colonialista e abriram as portas a uma vida melhor.

“Para trás ficou um regime autoritário, um regime de medo, de opressão, de censura, guerra, ignorância, subdesenvolvimento, analfabetismo e de uma pobreza extrema. Na memória ficará, também, todos os que tombaram pela pátria e liberdades. Escreveram com sangue uma das mais negras páginas da história de Portugal. A eles e de uma forma especial a todos os paredenses mortos em combate prestamos, também, a nossa homenagem”, afiançou, manifestando que ser livre, ser verdadeiramente livre é mais difícil que não o ser.

“O nosso compromisso é continuar a lutar sempre  pelos valores de Abril, na defesa do concelho de Paredes”, assumiu, confirmando, por outro lado, que a Revolução de Abril foi, também, uma importante data da afirmação do poder local e das autarquias.

“Portugal  tem hoje um património riquíssimo e único no mundo,  onde as juntas de freguesia pela sua proximidade e trabalho desenvolvido são provavelmente o elo mais importante entre o regime e as populações. Hoje mais do que nunca é fundamental  dotar as freguesias de uma verdadeira autonomia, libertar as freguesias  da dependência municipal e permitir que estas possam desenvolver um trabalho melhor, mais dinâmico, mais próximo na resolução dos problemas”, concretizou, avisando que o caminho que falta trilhar não será fácil, exigindo coragem, firmeza, experiência e acima de todo competência e determinação.

Rui Silva, do PS Paredes, declarou que a revolução acabou com uma  ditadura de dezenas de anos sem haver praticamente derramamento de sangue e isso só foi possível pela forma quase unânime como os portugueses queriam essa mudança.

“Apenas um ano após essa revolução o país conseguiu realizar as suas primeiras eleições livres e democráticas numa demonstração clara da sua maturidade e consolidação da sua democracia”, afirmou, relembrado que o Portugal do Estado Novo era “um país amordaçado, com condições de vida miseráveis”.

“Esta data é nossa dos da esquerda e da direita, dos crentes da democracia plural, dos amantes da liberdade, da igualdade de oportunidades, da justiça para todos, da liberdade de associação, da liberdade económica, do princípio de separação de poderes, da superioridade do poder político sobre todos os outros poderes, da liberdade religiosa”, adiantou.

No seu discurso, Rui Silva defendeu que, hoje, mais do que nunca impõe-se novas lutas contra os fundamentalismos, fanatismos e radicalismos que estão a tentar minar alguns dos valores  conquistados ao longo da evolução civilizacional.

O líder da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal manifestou que o 25 de Abril é dia é o indicado para refletir no que tínhamos antes e no que temos agora, o trabalho que foi realizado a nível nacional e local, na efetiva melhoria condições de vida, o papel do poder local, como sendo uma das mais expressivas conquistas de Abril.

“45 anos de Abril tanto caminho fizemos, mas muito mais temos de fazer, a construção de uma sociedade mais solidária, mais justa, mais fraterna. Abril está vivo na ação dos homens e das mulheres que continuam a acreditar que é possível continuar a construir uma sociedade mais justa e mais solidária”, atalhou.

O presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, confirmou que com a Revolução dos Cravos foram conquistados direitos com a liberdades de expressão de opinião e de associação.

“Conquistamos a liberdade de  cada um poder exprimir livremente as suas ideias, as suas crenças religiosas, os seus valores, as suas preferências políticas, liberdade de escrever, liberdade de imprensa, liberdade para criar associações para os mais diversos fins, liberdade económica”, constatou, assumindo que o 25 de Abril abriu as portas para o progresso do país, construíram-se escolas, centros de saúde, creches, jardins-de-infância, universidades, centros de dia, lares,  equipamentos de lazer, piscinas, estradas, autoestradas, pontes, aeroportos, centros de saúde e hospitais.

“Avançou o poder local democrático nas freguesias  e nos concelhos, criou-se o serviço nacional de saúde.  O país avançou e desenvolveu-se. Ao fim de 45 anos o balanço é extremamente positivo. A maioria do povo gostou muito do 25 de Abril, sabemos que outros gostaram e gostam menos e alguns sempre estiveram contra, mas a democracia trata a todos de igual modo. Depois há o cinismo dos velhos do  Restelo, os populismos, nacionalismos, as fake news que mais não são que formas modernas de fascismo”, relembrou..

Falando do concelho de Paredes,  o autarca admitiu que  existem problemas e dificuldades e ainda há muito caminho a percorrer, sobretudo no que toca ao saneamento básico.

“O saneamento precisa de uma resposta o mais rapidamente possível. Estamos a dar passos importantes nesse sentido, mas ainda há muito caminho a percorrer”, anuiu.

Sobre Paredes, o chefe do  executivo recordou que é um grande concelho da Área Metropolitana do Porto, com mais de 90 mil habitantes distribuídos por 18 freguesias num território com mais de 150 quilómetros quadrados, com uma localização privilegiada, estando a 30 minutos do aeroporto e do porto de mar.

“Somos cruzados, por autoestradas e cinco estradas nacionais, uma linha de caminho de ferro, temos ensino superior que queremos desenvolver, somos  dos concelhos em termos percentuais mais jovens quer da Área Metropolitana do Porto quer do país, temos mais de sete mil empresas, um movimento associativo dinâmico”, disse, sustentando que  a redução do passivo em mais de sete milhões de euros mostra que o município está no bom caminho.

“Só uma gestão rigorosa, pode contribuir para diminuir as despesas correntes e possamos  investir cada vez mais. Tenho consciência dos problemas e das necessidades. Estamos a cumprir a mudança necessária com rigor, trabalho e dedicação. Queremos um concelho de Abril, moderno, com melhores condições de vida e abertos ao mundo”, confirmou.

Ainda sobre o 25 de Abril,  o chefe do executivo confirmou que  abriu as portas de Portugal ao mundo e sobretudo à Europa, lançando um repto para que os portugueses acorram às urnas no dia 26 de Maio para as eleições europeias.

“Hoje é com orgulho que somos Europa, uma Europa com livre circulação de ideias, pessoas, que cria condições para as empresas”, asseverou.

As comemorações dos 45 anos do 25 de Abril culminaram com o descerrar de uma pedra em memória de António Augusto Santos Grácio, paredense de coração, que nasceu em Trás-os-Montes, a 25 de Abril de 1919 e faleceu em 1997.

Solicitador de profissão, Santos Grácio é recordado como lutador pela liberdade e pela democracia, que, em 1958, à passagem do General Humberto Delgado por Paredes, fez ouvir a sua voz exclamando: “Meu General, estamos fartos de ditadura. O povo precisa de pão e liberdade”.

Santos Grácio foi dirigente desportivo do União de Paredes e um dos mentores das Festas, da Vila e Concelho de Paredes. Da sua biografia destaca-se também o cargo na administração do hospital da Misericórdia de Paredes que ocupou durante 10 anos.

 

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