“É muito difícil, neste momento, a aquisição de um terreno para a...

“É muito difícil, neste momento, a aquisição de um terreno para a construção de um novo quartel”

Antero Correia, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Lousada

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O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Lousada, Antero Correia, à frente da instituição há quatro anos e meio, acedeu ao nosso convite para fazer um ponto da situação do seu mandato, dos projetos e dos desafios que tem pela frente.
Além da questão construção de raiz do novo quartel ou requalificação total do atual espaço onde se insere o quartel, Antero Correia faz um ponto da situação da época dos fogos florestais, dos meios e dispositivos que a corporação de Lousada tem disponíveis para “atacar” esta fase que todos os anos mobiliza homens e máquinas.

Yes Notícias: A questão da construção de um novo quartel tem sido um tema que tem dominado as conversas de vários atores e pessoas ligadas aos bombeiros de Lousada e à comunidade local. Na sua opinião existem condições para se construir um quartel de raiz noutro local?
Antero Correio: Não é bem a construção de um espaço de raiz. Precisamos de um espaço condigno para os bombeiros e todos os elementos que trabalham na instituição. Se for uma construção da raiz será uma construção de raiz, se for uma remodelação global terá de ter sempre em conta o bem-estar dos bombeiros e a sua dignidade. É esse o meu objetivo.

YN: O atual espaço carece de uma intervenção profunda?
AC: O atual espaço é exíguo, tem muitas divisões, muitos cantos e cantinhos. Em termos de área, se calhar, com um bom aproveitamento conseguimos fazer uma boa obra. Entretanto, se aparecer um terreno digno, bem localizado, estamos abertos para partir para essa solução. Agora, é muito difícil neste momento a aquisição de um terreno para a construção de um novo quartel dos bombeiros. Até pela conjetura atual da construção, temos tido sérias dificuldades em encontrar um terreno. Tivemos um terreno apalavrado depois o preço aumentou exorbitantemente e deixamos de ter condições de o adquirir. Tivemos outro terreno, contactamos o proprietário que se recusou pura e simplesmente e disse-nos que não vendia e está no direito dele. Estamos a falar de um terreno bem localizado que nos podia proporcionar excelentes condições, é um terreno que não tem viabilidade de construção e poderia ser viabilizado para o efeito que pretendíamos. Se olharmos para a vila facilmente verificamos que os terrenos são exíguos e os poucos que há são exorbitantes. Os preços são incrivelmente altos e a associação não tem capacidade para adquirir um terreno. Se vamos fazer uma construção precisamos de uma área bastante grande, bem localizado, para que as viaturas entrem por um lado e saiam pelo outro. É difícil encontrar um espaço com estas características. Só se formos para os arrabaldes, mas para os arrabaldes temos de levar os bombeiros e será que eles querem ir? As pessoas estão a pensar nos bombeiros também? Acho que há muita gente que fala de terrenos e da construção de um quartel, mas ainda não pensou verdadeiramente nos bombeiros e os soldados da paz gostam de ser vistos, não gostam de estar encostados a um canto qualquer. A dificuldade é encontrar um espaço onde possamos colocar os bombeiros para que se sintam bem, gostem de vir para i quartel e disponíveis para prestar um bom socorro.

YN: Obviamente que a construção de um quartel de raiz implicaria ficar localizado no casco da vila?
AC: Um novo quartel de bombeiros teria de ficar situado na área periférica da vila, muito próximo do centro da vila para os soldados da paz se sentirem integrados porque caso contrário, os bombeiros vão ficar desintegrados da vila e vai ser difícil conseguirmos manter um corpo de bombeiros. Em segundo lugar, terá de ser um local que tenha melhores acessos do que o atual. Para termos os acessos que temos hoje, temos este. Depois tem de ter uma área diferente, porque se queremos construir aqueles quartéis de forma megalómana temos de ter uma área substancial. É só ver o preço por metro quadrado que aqui se pratica. É incompatível com as possibilidades da associação.

YN: Enquanto presidente da Associação Humanitária qual é que seria a sua opção? Passaria por construir um espaço de raiz ou remodelar o atual?
AC: Nunca defendi a remodelação deste quartel. Defendi aproveitar o terreno onde está implantado este quartel e construir um quartel. É completamente diferente. Tudo aquilo que é espaço supérfluo e que está perdido no atual quartel iria aproveitá-lo em área, fazer uma construção de linhas direitas e sem cantos, com espaços amplos, de forma a aproveitar o máximo de espaço deste terreno e, estou certo, que faria uma boa obra para aquartelar bem os bombeiros com dignidade, mantendo o quartel no espaço urbano da vila onde os bombeiros se sentem bem. E é aqui que eles se sentem bem. Não se sentem bem em Silvares ou em Nogueira. Os Bombeiros de Lousada estão centralizados, estamos no centro de um circulo de um raio de 11 quilómetros. Fazendo 11 quilómetros no máximo fazemos o concelho todo. Estamos bem localizados. O que é que nos falta? Falta-nos melhores acessibilidades para sair, mas, também, não é tão difícil quanto isso. Com a rotunda que vai nascer, as acessibilidades acabam por ser suficientes. O grande condicionalismo que os bombeiros têm para sair é quando têm de atravessar para a zona de Paços, tendo de sair pelo lado do Senhor dos Aflitos. Com a construção da rotunda, a curto prazo, a saída ficará simplificada e as acessibilidades não são tão más quanto isso. Estamos num espaço central. Não vamos adquirir um terreno noutro local com tão boas condições quanto o atual. Agora, também, reconheço que o atual espaço onde se encontra o quartel é muito apetecível. Pode haver outros interesses por trás, das pessoas que andam a pressionar para os bombeiros saírem.

YN: Que intervenções é que necessitariam de ser feitas no atual quartel?
AC: São precisas grandes intervenções e a atual direção tem feito várias intervenções de manutenção para não deixar cair o que já está feito. Em termos de remodelação não vale a pena fazer grandes intervenções porque é chover no molhado. No ano passado fizemos a lavagem do exterior do quartel, este ano vamos começar a fazer uma limpeza no interior do quartel. Temos tentado manter alguma dignidade nestas instalações. Se me perguntar se estou a pensar fazer alguma intervenção de monta? Digo-lhe que não porque da forma como estão as instalações não vale a pena. Tudo o que seja gastar muito dinheiro é desperdiçar verbas. Das duas uma, ou fazemos um projeto diferente e uma construção diferente e fazemo-lo de uma vez só e gastamos o dinheiro de uma vez só e ficamos com instalações para muitos anos mais ou não vale a pena andar a gastar, agora, 10, depois 20, 30, e quando chegarmos ao fim nem temos dinheiro nem instalações.

YN: No atual quadro comunitário não existem fundos para alavancar uma obra destas, uma construção de raiz?
AC: Não. Para já não existem fundos para isso. A minha direção tem estado atenta, a tentar perceber se no âmbito do novo quadro comunitário existirão apoios para esse fim. Resta-me ponderar e a verificar a existência de um terreno que ainda possa interessar para depois elaborar um projeto, quanto mais não seja, para aproveitamento do espaço do atual quartel, aproveitamento total do terreno. Quero ver se consigo negociar algum espaço, alguns metros com o proprietário vizinho do quartel para poder fazer mais qualquer coisa. Depois colocarei o projeto em cima da mesa e os sócios terão de decidir e sobretudo os bombeiros porque há muita gente que se esquece de perguntar qual a opinião dos bombeiros. Os bombeiros devem ser ouvidos e devem ser parte interveniente neste processo.

YN: Uma reformulação implicaria uns milhares de euros?
AC: Sim, uns milhares de euros. Estamos a falar em demolir um edifício e construir um novo. Estamos a falar, grosso modo, em mais de um milhão e meio de euros. Estamos a falar de um esforço financeiro significativo, mas se tivermos de optar pela construção de um equipamento de raiz, teremos de apontar para dois milhões de euros, mais o terreno. As coisas são mais ou menos equivalentes. Continuo a dizer, é assim que vale a pena investir. Se de facto é para fazer alguma coisa que valha a pena mais vale fazer as coisas com conta peso e medida de forma a que quando chegarmos ao fim fiquemos todos satisfeitos.

YS: Pergunto, este é um passo que terá de ser dado a curto, médio prazo?
AC: Sim, o passo tem de ser dado a curto, médio prazo quer seja na saída, na deslocalização, quer seja na intervenção. Neste momento, posso dizer-lhe que não temos instalações para o meu corpo de bombeiros.

YN: Para acomodar as viaturas também?
AC: Mas as viaturas são o menos importante, porque dormem bem lá fora. O espaço começa a ser escasso para os recursos humanos. Começa-me a preocupar muito a parte dos recursos humanos. Os bombeiros são uma preocupação constante que tenho. Se não houver bombeiros não preciso de instalações automóveis. Aquilo que tenho sempre de proteger é o ser humano, os soldados da paz que estão permanentemente no quartel e dão o seu tempo em prol de uma causa solidária. Preocupa-me mais o realojamento dos bombeiros do que ter um bom parque de automóveis. Precisamos dos automóveis, mas estes tanto dormem abrigados como à chuva. Já o bombeiro não. Ou têm um bom sítio para estar ou passam frio, podem ficar doentes e essa parte é que me preocupa.

YN: Do contacto que vai tendo com os associados e mesmo com a Câmara de Lousada qual é o sentimento que verifica relativamente a estas duas opções?
AC: Verifico que há uma relutância grande quando falo em destruir para construir. Parece que em Lousada, nas mentalidades das pessoas, aquilo que está construído deve ficar construído. Não se pode destruir para voltar a fazer. Existe essa relutância. Este é um processo que tem de ser muito bem explicado. Algumas pessoas entendem quando digo que no atual quartel consigo fazer boas instalações. Não são as entalações que muita gente pensa, as instalações de um pavilhão amplo. Estamos a falar de instalações capazes de agrupar tudo para que não haja problema nenhum, condicionamentos nenhuns. Tenho espaço mais do que suficiente, para fazer a intervenção necessária e acolher todos com as condições que todos almejamos. Destruir um edifício quer queiramos quer não mexe com o inconsciente das pessoas. É isso que me deixa um pouco triste, as pessoas não são capazes de parar para pensar e admitir que esta poderia ser uma solução. Não é aquilo que os outros fazem, mas não temos de nos comparar aos outros. Compete-me procurar o melhor para a associação e o melhor passa por construir com o mínimo o melhor possível e isso passaria por aproveitar este terreno que é nosso, já não tem custo, aproveitá-lo ao máximo e fazer a construção como deve ser, ampla, o máximo de linhas direitas, sem cantos nem cantinhos.

YN: Vai bater-se por esta posição?
AC: Bato-me por esta posição enquanto não me disserem que tenho uma solução de um terreno onde poderei construir aquilo que alguns sócios pretendem. Terei que analisar as possibilidades que tenho. Agora, não posso andar eternamente a negociar um terreno e outro e outro se não nunca mais tenho terreno porque a associação não tem capacidade para o comprar. Temos de ser realistas. Tenho de ter um projeto seja para o atual quartel seja para outro lado para quando surgir a possibilidade de candidatura estar em posição de me candidatar. Ou tomo decisões rapidamente ou não vale a pena. Lembro que já há três ou quatro anos disse que havia a possibilidade de fazermos um projeto que passaria pela ampliação e remodelação das instalações. Na altura, disseram que não e não se avançou para essa situação. No entanto, hoje, foi uma oportunidade perdida porque poderíamos ter umas instalações completamente diferentes.

YN: Existe disponibilidade de tesouraria para avançar para a construção de um quartel de raiz?
AC: Para um projeto novo existe alguma disponibilidade de tesouraria, temos alguma verba alocada e disponível para isso, contando sempre que tem de haver um subsídio, uma parte subsidiada porque caso contrário é incomportável para a associação. Contamos sempre com as velhas entidades. Não escondo que conto com o apoio da Câmara Municipal de Lousada, dos fundos comunitários, ou até do Ministério da Administração Interna, para alocar verbas para conseguirmos fazer a obra. A Associação só por si não tem capacidade para isso.

YN: Aproxima-se rapidamente mais uma época de fogos florestais, pergunto-lhe, se a corporação de Lousada dispõe dos meios e recursos para fazer face a todas as solicitações?
AC: A corporação está preparada para todos os cenários. A equipa de intervenção já está atribuída, os bombeiros estão operacionais para fazer face a qualquer situação que possa ocorrer. É um facto que de ano para ano vamos ter um agravamento das condições meteorológicas. Verificamos que cada vez chove menos e está mais calor. Os Bombeiros de Lousada têm sido eficazes e têm tido uma brilhante atuação no início das ignições, têm chegado muito cedo às ignições. Se continuarmos a fazer este trabalho conseguiremos controlar as situações que possam surgir. É evidente que depois precisamos do apoio de outras corporações e do CDOS, sobretudo quando é necessário os meios aéreos. Recordo-me que há dois ou três anos, tivemos o grande fogo que foi a Sousela e Lustosa. Há determinados sítios que só os bombeiros não chegam. As condições quer do vento quer de propagação diferem e depois pode ser incontrolável.

YN: A mancha florestal que existe no concelho é uma preocupação acrescida?
AC: É porque estamos a falar de uma área muito extensa. Temos uma área de intervenção muito grande. Os meios são suficientes, agora, é evidente que gostava de ter o dobro, mais do que uma equipa de intervenção, quatro a cinco carros, daí que tenhamos de ser mais ágeis nas ignições, isto é, temos de sair mais cedo para chegar mais rápido e não deixar alastrar o fogo e isto tem sido conseguido nos últimos anos.

YN: Os fogos urbanos são igualmente uma preocupação?
AC: Os incêndios urbanos não têm sido muito frequentes. A preocupação da instituição é ter os elementos que integram o corpo ativo bem treinado, equipado, ter os meios para fazer face a qualquer ocorrência. Não é uma coisa que me faça estar muito preocupado porque o meu corpo de bombeiros apesar de ter estado este tempo todo sem comandante consegue estar muito operacional e tenho de agradecer aos bombeiros pelo empenho que têm tido.

YN: Qual é o número de efetivos da corporação?
AC: Estamos muito próximos dos cem bombeiros.

YN: Quantas viaturas tem o parque automóvel?
AC: De combate a incêndios temos seis ou sete carros operacionais e dispomos dos autotanques.

YN: A aposta na formação continua a ser a grande âncora dos bombeiros?
AC: A formação tem de ser a grande âncora dos bombeiros. Pessoalmente sou um adepto da formação. Quanto melhor formado estiverem os bombeiros mais tranquilo estou. Os bombeiros têm sempre o apoio da direção quando se trata de fazer formação e quero que o comandante veja quais são as necessidades de formação para que possamos programar formação porque ela tem de ser paga e nem sempre os recursos chegam. O objetivo será sempre o de termos bombeiros cada vez mais capacitados.

YN: O que é que o novo comandante poderá trazer de novo aos Bombeiros de Lousada?
AC: Primeiro traz uma coisa que aguardava há muito tempo, uma experiência muito grande, um conhecimento muito abrangente, é uma pessoa que já não é nova, tem 54 anos, uma vida dedicada aos bombeiros e com um conhecimento muito abrangente. Tem uma capacidade de organização muito grande e um sentido de responsabilidade imenso. Estamos a falar de uma pessoa que é capaz exigir responsabilidades e saber lidar com voluntários. Estou convencido que tenho a pessoa certa para o lugar certo. Chegou à corporação presumo que em janeiro. Lancei-lhe o repto antes de ele vir para Lousada e só depois de ele aceitar assumir o cargo é que foi transferido como bombeiro para Lousada. Era oficial de bombeiro, estava fora dos bombeiros inclusivamente, falei com ele algumas vezes, lancei-lhe o repto, inicialmente disse-me que iria pensar mas depois acabou por aceitar porque é uma pessoa que gosta dos bombeiros, vive os bombeiros. Já está a trabalhar e muita coisa já tem o dedo dele. É uma pessoa que gosta de mudar, de fazer.

YN: Acredita que a articulação institucional com o corpo ativo e o seu comandante vai manter-se e sair reforçada?
AC: Não tenho dúvidas disso. Se não fosse assim não o teria convidado. Uma casa destas só se governa se duas pessoas se derem muito bem, o presidente e o comandante. Aqui tem de haver mais cumplicidade entre o comandante e o presidente. Quanto mais cumplicidade existir mais fácil é governar a casa. Procuro ser muito correto e muito franco com o comandante e procuro que o comandante tenha exatamente o mesmo comportamento para comigo. Não tenho dúvidas que essa articulação vai existir até porque a pessoa que é o comandante inspira-me toda essa confiança.

YN: A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada comemora dia 16 de junho mais um aniversário. O que é que está previsto em termos de cerimónia?
AC: Será uma cerimónia idêntica à do ano transato. Está previsto o hastear das bandeiras logo pela manhã, uma romagem aos cemitérios, uma missa a meio da manhã e o almoço de confraternização com os bombeiros e os diretores.

YN: É expectável que venha a acontecer algum reforço de meios no decorrer dessas cerimónias?
AC: Não, não…Não está nada previsto. Será uma cerimónia simples. Só fazemos uma cerimónia mais abrangente de cinco em cinco anos. Esta é uma decisão que já está estabelecida. Quando a associação comemorar os 95 anos iremos fazer uma grande festa porque merecemos e os bombeiros também.

YN: Sei que a associação tem estado a fazer várias campanhas junto da comunidade, essas campanhas são para continuar?
AC: Sim, a campanha porta a porta de angariação de sócios vai continuar. Sabemos que não é fácil fazê-la e organizá-la e não tem sido fácil arranjar nas freguesias os voluntários que queiram fazer esse trabalho, mas vamos fazendo. Ainda está por concluir a campanha de Pias, está na ponta final, vai começar Sousela e estou a ver se consigo arranjar para fazer Covas, na Ordem a mesma coisa. Isto não é para se fazer de uma hora para a outra nem foi estabelecido um prazo para se fazer num ano. Queremos fazer, três, quatro freguesias por ano e estas campanhas têm dado resultado.

YN: Que balanço é que faz do seu mandato á frente da direção dos Bombeiros de Lousada?
AC: Mentia se dissesse que não estou perfeitamente satisfeito. Primeiro porque consegui nessa grande atribulação para a instituição, manter a calma e serenar as águas dentro desta casa que muito prezo. Consegui substituir um comandante que estava a criar algum mal-estar e trazer um bom comandante para Lousada. Era tão bom que fiquei sem ele logo a seguir e, agora, mais recentemente consegui ir buscar outro bom comandante. Estou feliz porque consegui manter a estabilidade operacional deste corpo de bombeiros. Nem sempre sendo tudo do agrado de todos, mas conseguiu-se e acho que se fez um bom trabalho ao longo destes quatro anos e meio. Agradeço muito aos bombeiros pelo empenho e pela confiança que vão tendo na minha direção. Financeiramente atravessávamos um período mais conturbado, mas já está estabilizado e as coisas estão a fluir normalmente. Nem sempre dependemos de nós para que as coisas corram bem. Olhando para aquilo que foi estes quatro anos e meio devo dizer que faço um balanço muito positivo dos meus mandatos. Quero continuar. Se me perguntar se me sinto realizado? Dir-lhe-ei que não. Não sinto porque faltam as instalações, faltam-me as condições para acarinhar melhor os meus bombeiros. O meu problema está sempre nos bombeiros que passam aqui muitas horas, que dá as suas horas e muitas horas em formação para nos socorrerem, mas infelizmente ainda não foi possível.

YN: Acredita que vai cumprir esse objetivo?
AC: Eu quero. Se não acreditasse já teria ido embora. Agora, é assim, também, não depende só da minha vontade, existem outros fatores, os associados têm voto na matéria. O presidente pode ter boas ideias, mas não consegue fazer tudo sozinho, nem tomar decisões sozinhos. Tem de tomar decisões de acordo com os associados. Se fosse por mim, o projeto para as instalações neste local estava feito. Estava à espera era de financiamento. Assim estamos assim. Há muitas opiniões, há muita gente que quer, há muita gente que não quer. Efetivamente valia a pena as pessoas pararam um bocado para pensar, analisar o terreno que os bombeiros têm, o que é que se pode construir aqui e ponderar seriamente se vale a pena investir num terreno caríssimo, noutro local, deslocalizar tudo quando afinal até podemos ficar no atual quartel muito bem instalados. Mas é uma questão de análise. Mais recentemente alguém disse que havia uma solução viável para o terreno. Ficava muito contente se nos próximos anos me dissesse: “as instalações vão ser estas, o projeto está aqui, agora, vamos fazer o financiamento”.

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