Em contramão

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Com a (pouca) honrosa exceção de alguns cegos, não os que lamentavelmente padecem de uma deficiência visual, mas daqueles que são mais cegos ainda: os que não querem ver, o nosso planeta vive momentos dramáticos, ao ponto da sua existência, enquanto fonte de vida se encontrar seriamente ameaçada.
Está nas mãos de todos mudar o rumo dos acontecimentos, alterando os nossos padrões de consumo, o nosso modo de vida e a nossa forma de utilizar os recursos do Planeta Terra cuja escassez é cada vez mais uma evidência clara.
Para tal, devemos ser exigentes connosco, com aqueles que nos rodeiam e também com aqueles que elegemos para nossos governantes, seja a nível local ou nacional.
Partindo dos 3 R´s da sustentabilidade (reduzir, reciclar e reutilizar), essenciais para diminuir o custo de vida, além de favorecer o desenvolvimento sustentável, impõe-se cada vez mais a chamada Economia Circular que visa conciliar os objetivos económicos com os ambientais e sociais, sendo também uma oportunidade para a chamada “eco inovação”.
Em oposição ao modelo linear que assenta no pressuposto de que existe uma disponibilidade ilimitada de matérias primas, desprezando o impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos produtos e dos resíduos resultantes da sua produção, o modelo subjacente à Economia Circular assume que todos os produtos e serviços têm origem em fatores da natureza, à qual retornam no final da sua vida útil.
Porém, o modelo circular exige um processo de otimização dos ciclos de vida dos produtos, desde a sua projeção e conceção ao processo de produção e à gestão dos resíduos que não foram possíveis eliminar e que devem ser transformados, através da inovação, em potenciais subprodutos ou outros materiais.
A economia circular é assim um conceito económico que faz parte do desenvolvimento sustentável diminuindo as ineficiências, ao longo do ciclo de vida do produto, desde a extração das matérias-primas até à sua utilização, pelo consumidor, através de uma gestão mais eficiente dos recursos naturais, minimizando ou erradicando a criação de resíduos e prolongando, ao máximo, a sua vida útil e o seu valor, promovendo um novo paradigma em que o consumidor se converte em utilizador: partilhar em vez de acumular.
São já várias as empresas, portuguesas e estrangeiras que estão a pôr em prática modelos circulares. E o próprio Estado e as Autarquias deviam encabeçar este movimento. Haja vontade e criatividade. Em Roma, por exemplo, reciclar é cada vez mais fácil e até dá direito a andar nos transportes públicos, com a colocação de máquinas que convertem em títulos de transporte garrafas de plástico para reciclar.
Paralelamente, vive-se uma era da promoção do saudável, do biológico, do “eco friendly”, em que há uma grande pressão para que os carros sejam retirados dos centros das cidades, substituídos pela partilha de bicicletas e trotinetes elétricas; em que o consumo de alimentos de origem animal seja gradualmente substituído por alimentos de origem vegetal, promovendo-se a tradicional gastronomia mediterrânica; em que seja reduzido o uso de herbicidas e pesticidas na agricultura, em que as zonas ribeirinhas sejam cuidadas e utilizadas para o lazer e para práticas do desporto ao ar livre.
Alheia a tudo isso, as políticas seguidas pelo Município de Paredes estão claramente em contramão: Os rios que atravessam o concelho estão no estado que se sabe, o espaço da antiga ETAR de Paredes, com uma localização privilegiada junto ao rio vai servir para estacionamento automóvel, a ciclovia foi eliminada, de forma a permitir mais trânsito no centro de Paredes, mantém-se a utilização de copos de plásticos descartável nas festas do concelho, o consumo de carne é promovido (num churrasco brasileiro que nada tem a ver com Paredes) e o uso de fertilizantes é incentivado para conseguir a maior abóbora o maior nabo, ou seja lá o que for, desde que seja o maior.

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