Funcionários de empresa de calçado em Lousada encontram unidade fechada depois de...

Funcionários de empresa de calçado em Lousada encontram unidade fechada depois de terem sido convidados a ir para casa

Na origem desta situação estará a falta de encomendas. Operários reiteram intenção de continuar em vigília até que seja encontrada uma solução que os proteja socialmente e lhes garanta os seus direitos.

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Dezenas de funcionários da empresa Sioux Portuguesa, com instalações em Boim, Lousada, encontram-se à porta desta unidade laboral, afirmando temer pelos postos de trabalho, depois de terem recebido indicações para se manterem em casa por falta de encomendas e de terem encontrado as instalações da unidade encerradas esta segunda-feira.

Além da falta de encomendas, explicação dada aos aos trabalhadores, os funcionários temem que a empresa possa entrar em insolvência e venham a perder os seu direitos ou que as máquinas sejam retiradas da unidade.

Filipe Moura, porta-voz dos funcionários em vigília, encarregado de uma das secções da parte final do produto, operário há 31 anos na empresa, referiu que os funcionários, já na semana passada, tinham estado em casa com a justificação da falta de encomendas.

“As encomendas por parte da casa-mãe, na Alemanha, não estavam a cair e o que nos diziam é que não tinham encomendas, até que na quinta-feira verificamos algum movimento por parte da administração da Sioux portuguesa, as pessoas foram passando palavra e na sexta-feira a movimentação foi maior e constatamos que tinham retirado todos as placas com o nome da empresa, o que nos chamou a atenção. Viemos  de imediato à empresa tirar satisfações e o que nos foi dito é que teríamos de aguardar para segunda-feira e comparecer  ao trabalho e o que estavam a fazer tinha a ver com ordens da Alemanha e que iriam dizer alguma coisa”, disse, sustentando que esta segunda-feira quando chegaram à empresa esta se encontrava fechada.

“Apenas nos comunicaram que estavam à espera de uma palavra da Alemanha porque teriam dito que iria entrar com o processo de insolvência”, declarou, confirmando ter verificado que algum do produto que era feito na Sioux em Boim começou a ser feito aos poucos para empresas na Índia, por unidades contratadas pela casa-mãe.

“Não sei até que ponto esta situação terá ou não a ver com a falta de encomendas, mas o que é certo é que nos deixou com o pé atrás visto que retiraram, também, os cartazes com a marca da empresa”, expressou, sustentando temer que alguns produtos possam já estar a ser confecionados noutros países.

A Sioux portuguesa está instalada em Boim há 34 anos, emprega cerca de 150, mas já chegou a dar trabalho a mais de 400 funcionários.

Filipe Moura admitiu que esta  situação está a ser acompanhada  com preocupação acrescida por todos os funcionários que temem pelo seu futuro profissional e pelo desfecho de toda esta situação.

“Existem casais, marido e mulher, que trabalham há anos na empresa, famílias inteiras, que laboram aqui e têm mensalmente encargos acrescidos. Os funcionários da Sioux em Boim não mereciam este desfecho  porque são pessoas que sempre lutaram  pela empresa”, confessou, acrescentando que os funcionários vão manter-se à porta da unidade e já contactaram com advogados no sentido de salvaguardarem  os seus direitos.

“Estamos a tratar das coisas como devem ser, saber em que ponto está a Sioux portuguesa porque não sabemos se o edifício nos pertence, não pertence, saber o que é que podemos tratar após a dita insolvência”, afirmou, esclarecendo que o único documento que foi entregue aos funcionários foi por exigência da Autoridade das Condições do Trabalho que esteve no local.

“O que nos foi dito é que poderíamos  ir embora, sem quaisquer problemas e que assim que soubessem do pedido de insolvência que nos comunicavam. A Autoridade das Condições do Trabalho achou por bem que a empresa deveria passar um documento a dizer que estávamos dispensados do serviço por falta de encomendas”, adiantou.

Quanto aos salários, o porta-voz dos funcionários confirmou, também, que os salários estão em dia, embora existam direitos que terão de ser devidamente acautelados.

“Quanto aos direitos dos funcionários, esse processo terá de ser encaminhado para a Segurança Social. Há aqui pessoas com mais de 30 anos de serviço, sendo aceite a insolvência, haverá um administrador que assumirá todo o processo”, acrescentou.

Maria Silva Pereira, funcionária há 33 anos na empresa que se mantém à porta da unidade, realçou estar preocupada com a situação, temendo pelo seu futuro.

“Viemos trabalhar na segunda-feira, mas encontramos as portas fechadas. Estávamos em casa porque não havia encomendas, foi o que nos disseram. Foi-nos comunicado que iam entrar com um pedido de insolvência”, avançou, afiançando que todos os funcionários estão determinados em defender os seus interesses.

Maria Emília, funcionaria também há 33 anos da Sioux, mostrou-se igualmente alarmada com toda esta situação.

“Já na última sexta-feira ao passar pela empresa  fiquei preocupada pelo facto de verificar que tinham retirado as placas com a indicação do nome da empresa. Contactei logo os colegas e percebi que algo de estranho se estava a passar. Acho que não é por falta de encomendas que tudo isto aconteceu, mas porque estão a fazê-las noutros países”, asseverou,  declarando temer que a empresa de Lousada possa encerrar.

“Não saímos daqui enquanto não nos deram uma decisão. Temos falado com os recursos humanos da empresa, mas estou pessimista quanto ao desfecho de toda esta situação”, anuiu.

Fonte da Câmara de Lousada esclareceu que a autarquia está a acompanhar a situação e a diligenciar no sentido de acautelar os interesses dos funcionários.

A mesma fonte confirmou que a União de Freguesias de Cristelos, Boim e Ordem está, também, a acompanhar a situação dos trabalhadores.

A própria vereadora da Ação Social e da Indústria, Cristina Moreira, esteve já no local.

 

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