Grupo de doentes oncológicos “Viver Melhor” assinalou primeiro aniversário

Grupo de doentes oncológicos “Viver Melhor” assinalou primeiro aniversário

Evento contou com cerca de três dezenas de convidados

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O grupo de doentes oncológicos Viver Melhor assinalou, no último sábado, numa unidade de restauração do concelho, o primeiro aniversário., iniciativa que contou a direcção do grupo, utentes e familiares, assim como do presidente da Câmara de Paredes,  Alexandre Almeida, vereador com a pelouro da Saúde, Paulo Silva entre outros convidados.  O evento contou com a presença de cerca de três dezenas de pessoas. O Grupo “Viver Melhor” – projeto de apoio a doentes oncológicos – promovido pelo Município de Paredes, em parceria com a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas. Para além das aulas de exercício físico e apoio psicológico, o grupo tem aulas de dança quinzenalmente e realizou o primeiro convívio no passado sábado. O presidente da Câmara Municipal de Paredes, Alexandre Almeida, realçou que este grupo de doentes oncológicos conta com o apoio incondicional da autarquia, sendo um exemplo para todos cujo trabalho, força e determinação devem ser reconhecidos publicamente. António Melo Moreira, do grupo Viver Melhor, Tozé, como é conhecido entre os amigos, assumiu que “a notícia de que temos cancro abala os alicerces da existência. É a pior experiência que um ser humano pode sentir na pele. O pensamento fica atolado na lama”. António Melo Moreira destacou que a adesão ao grupo Viver Melhor alterou por completo a sua vida, referindo-se ao grupo como “amigos de armas – mosqueteiros oncológicos”.

“ Os amigos são como luzes das estrelas que brilham em noites de escuridão. A vida de um doente oncológico é uma vida solitária, mas quando vivida e partilhada com outros da mesma estirpe torna-se mais leve”, acrescentou, esclarecendo que depois do cancro, “resistimos a tormentas de alma, a ciclones no espírito, a tempestades no coração e a torturas no corpo” e que com a doença, “as coisas mais simples tornam-se mais valiosas e as valiosas, tal como nos incutiram, passaram a pó”.

A coordenadora do projecto Viver Melhor, Teresa Carvalho, fez um balanço positivo do primeiro ano de actividade do grupo que agrega doentes de vários concelhos do Vale do Sousa. “O balanço é absolutamente extraordinário. Ultrapassou todas as expectativas. A ideia era proporcionar aos doentes oncológicos inscritos no projecto, aulas de exercício físico e apoio psicológico, mas rapidamente quiserem ir bem mais longe, participar e promover outras actividades. Nem tudo foi fácil, nem tudo correu bem. A própria doença carrega muita tensão, desânimo e frustração. Mas, o grande lema é “Desistir Nunca” e portanto, a amizade e o companheirismo existente não permite que ninguém atire a toalha ao chão. Durante este ano faleceram duas pessoas, a mais nova, a Cláudia, e o Avelino, o mais velho do grupo. Foram momentos muito complicados, mas ao mesmo tempo fazem com que os guerreiros continuam a sua luta”, afirmou, sustentando que o grupo quer sempre mais e está permanentemente a desafiar-se. Falando das doenças oncológicas, Teresa Carvalho reconheceu a comunidade está cada vez mais consciente desta doença e da necessidade de apostar na sua prevenção.

“O cancro deixou de ser tema tabu há anos. Devem ser raras as famílias que não tenham um ou mais elementos com problemas oncológicos. Aliás, há estudos que revelam que uma em cada duas pessoas vai sofrer desta doença, que já se assume como sendo crónica. Mas, continua a ser assustador falar de cancro. Ainda existem muitos mitos que é preciso descortinar, nomeadamente o cancro não é contagioso. Há mesmo relatos de colegas e amigos que se afastam quando a doença é detectada e isto não pode nem deve acontecer, porque no momento mais aterrador das suas vidas, todo o apoio e carinho é essencial”, asseverou.

Para este ano, o grupo tem como meta alargar os ateliês à sociedade, mobilizando, designadamente crianças e idosos e pedir a colaboração dos centros de saúde da região e do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa para que ajudem a mobilizar doentes para este grupo de apoio.

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