Lousada já tem equipa de Basquetebol de Cadeira de Rodas

Lousada já tem equipa de Basquetebol de Cadeira de Rodas

751
0
COMPARTILHE

Lousada recebeu, no domingo, um Torneio de Basquetebol de Cadeiras de Rodas, mais uma iniciativa de promoção da modalidade organizada pelo recém-criada equipa da Lousavidas que cumpriu assim o seu primeiro desafio oficial.
A criação desta equipa começou a ser projetada há sensivelmente dois anos pela autarquia e é um anseio que agora se concretiza e para o qual tiveram um papel determinante o atleta lousadense Carlos Cardoso, o clube paredense da APD-Paredes e a Lousavidas – Cooperativa de Solidariedade Social que acolhe e dá o nome à equipa.
Para a história fica o resultado de 24-60 no jogo de estreia frente à poderosa formação da APD-Braga, uma derrota pesada que em nada esmorece os ânimos dos lousadenses, até porque marcar 24 pontos aos campeões nacionais é já de si um feito assinalável, como confessou o treinador da equipa da Lousavidas, o marcoense Sérgio Gomes: “Um resultado que me deixa muito orgulhoso, assim como aos meus companheiros, que deram o litro, e a todos aqueles que estão envolvidos no projeto Lousavidas. 24 pontos para uma equipa que não tem rotina de jogo nem entrosamento entre os jogadores é muito bom”, disse, elucidando ainda que a equipa treina apenas uma vez por semana e as cadeiras, emprestadas pela federação e pela APD-Paredes, chegaram apenas há duas semanas.
Sérgio Gomes esteve parado durante cinco anos, dedicando-se entretanto a outros desportos adaptados, mas tem já uma larga experiência de cerca de uma década no BCR, divididos pela APD-Paredes e APD-Leiria, sendo mesmo nesta última campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal. Este novo desafio foi-lhe lançado por um dirigente da associação de Paredes que desde logo abraçou para “procurar transmitir a minha experiência e tentar tirar frutos deste projeto que passa essencialmente por cativar atletas nesta fase. O projeto tem rodas para andar, mas isto é como as flores…primeiro é preciso começar a plantar a sementezinha, regá-la e aguardar que ela floresça”.
Fátima Esteves, presidente da direção da Lousavidas, mostrou-se evidentemente entusiasmada com esta primeira iniciativa e contou como nasceu o projeto: “A prática desportiva sempre fez parte dos objetivos estipulados na fundação da Lousavidas há cinco anos atrás e isto acaba por ser a concretização de mais um desses obejtivos que nos tínhamos proposto. O BCR foi uma modalidade que surgiu o ano passado na Lousavidas no decorrer de uma ação de sensibilização/divulgação (torneio de seleções) promovida pela Câmara Municipal e nessa altura foi-nos proposto abraçar este projeto. Não é fácil encontrar pessoas com as características para praticar esta modalidade, mas através de uma parceria com a APD-Paredes conseguimos criar um número mínimo de jogadores para formar a equipa”.


Recentemente a associação viu ser aprovada uma candidatura ao Portugal Inovação Social, o “Desporto para Todos” e “agora temos de impulsionar o desporto adaptado e esta é só mais uma modalidade. Tivemos o ano passado uma atleta no ténis de mesa, o atletismo com crianças que queremos dar continuidade e fizemos agora uma parceria com a Lousada Séc. XXI para a natação adaptada”, disse a fundadora da entidade, esclarecendo que um dos entraves ao recrutamento dos atletas ainda passa pelas famílias: “O problema não é tanto as pessoas que têm a deficiência, mas muitas vezes a família. É preciso um trabalho de preparação para que depois elas permitam a frequência dos filhos nas modalidades desportivas. Não há ainda muita abertura devido ao excesso de proteção e ao receio que se magoem”.
Óscar Silva, Sapador Bombeiro no Porto, é voluntário neste projeto e serve como elemento de ligação entre a direção e a equipa, desempenhando múltiplas tarefas desde delegado ao jogo a angariador de patrocinadores: “A Fátima lançou-me o desafio para acompanhar o desenvolvimento deste projeto, que sendo de cariz social e com uma componente inclusiva achei bastante interessante. Fiquei também sensibilizado e disponibilizei-me desde a primeira hora para tentar ajudar naquilo que é possível”.
As cadeiras, cujo preço pode rondar entre os 3 e os 5 mil euros, são cedidas (empréstimo) pela Federação Portuguesa de Basquetebol, mas com jogos maioritariamente disputados na zona sul do país, o transporte e logística será outra dificuldade, esta a ser solucionada pela intervenção da autarquia: “A Câmara Municipal é um dos nossos parceiros fundamentais. Estamos em perfeita sintonia, temos conversado regularmente e as coisas vão avançando, um passo de cada vez, conforme as necessidades”.
Refira-se que no segundo jogo a formação da Lousavidas venceu a BD Gaia (33-26), outra equipa recém-criada e que irá integrar o mesmo campeonato (2.ª Divisão) que os lousadenses.

António Augusto, Vereador do Desporto
“Mais um marco no desporto do concelho”

“A criação desta equipa, mais que um marco na atividade desportiva em Lousada, é um ato de justiça para com uma população que tem menos oportunidades na prática de atividade física, bem como em muitas outras áreas da atividade humana como por exemplo o emprego.
Está de parabéns a Lousavidas, bem como a APD – Paredes e a Federação Portuguesa de Basquetebol que colaboraram também decisivamente no surgimento desta modalidade no concelho.
Uma palavra de incentivo a todos os atletas para que, apesar das muitas dificuldades, não desistam”.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA