Lousada quer classificar 12% do seu território criando área de elevado potencial...

Lousada quer classificar 12% do seu território criando área de elevado potencial natural

Classificação de Paisagem Protegida tem como propósitos a proteção dos valores naturais e culturais, salvaguardando a identidade do Rio Sousa. 

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A Câmara de Lousada quer  classificar 12% do seu território como paisagem protegida, transformando esta área numa faixa de elevado valor acrescentado que evidencie grande valor estético, ecológico e cultural.

A classificação de uma Paisagem Protegida visa a proteção dos valores naturais e culturais existentes, evidenciando a identidade do Rio Sousa.

A intenção foi veiculada pelo vereador do ambiente da Câmara de Lousada, Manuel Nunes, e pelo presidente da Câmara, Pedro Machado, na cerimónia de apresentação pública do processo de gestão da paisagem protegida do Sousa Superior, iniciativa que contou com a presença de dois especialistas da Universidade de Aveiro e outros actores e agentes que acompanham esta temática.

Manuel Nunes realçou que o território do Sousa Superior é marcado por uma orografia especial com rios que marcam o território, o Rio Sousa e o Mezio, que é subsidário do primeiro, dispondo de uma população abundante e um património histórico, natural que carece de ser devidamente protegido.

Falando da proteção da paisagem protegida, o autarca revelou que o processo começou em 2013/14, quando a autarquia elaborou a carta ambiental do concelho que permitiu perceber o que é que o concelho tem, quais os problemas  e as oportunidades, um trabalho realizado em colaboração com a Universidade de Aveiro, que é também parceira no processo de gestão da paisagem protegida.

“Desenvolvemos um conjunto de iniciativas e definimos um plano de acção entre 2014 e 2015, tendo sido definidos objectivos, as áreas de intervenção prioritária, as parcerias e as estratégias de financiamento. Entre 2015 e 2021 decorre a fase de concretização que é exactamente o passo que nos leva a definir um conjunto de medidas e de estratégias e ações com vista a chegarmos a este processo e outros. Nem tudo vai casar nem  desaguar à paisagem protegida. Isto é apenas um momento deste processo”, disse.

Falando da Paisagem protegida, o autarca revelou que um dos aspectos importantes deste projecto é o estudo e o enquadramento da paisagem.

“A paisagem não é apenas as plantas e o território é também a forma como as pessoas ao longo dos séculos foram usando e determinando a paisagem. Aquilo que temos hoje no Vale do Sousa é o reflexo de uma utilização humana intensa dos últimos dois, três, quatro a cinco mil anos. Estamos a falar de património arqueológico clássico, histórico e vernacular, com moinhos capelas, pontes. No troço entre Vilar do Torno até Meinedo temos quatro dos seis monumentos da Rota  do Românico ( ponte da Veiga, Torre de Vilar, Ponte de Vilela e Ponte de Espindo). Até ao momento temos mais de 100 sítios identificados”, adiantou.

Sobre a questão de agregar outros concelhos para este processo levando-os a participar na valorização do Rio Sousa, Manuel Nunes esclareceu que Gondomar e Paredes estavam já abrangidos pelas Serras do Porto, faltando o troço intermédio e superior.

“Sabemos que o concelho de Penafiel tem estado a trabalhar nessa área está a desenvolver trabalho com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a nossa expectativa é que por arrastamento consigamos fazer chegar isto até à Foz e a rede natura que termina algures em Paredes venha até cá acima. Necessitamos de estender as redes natura, Bruxelas assim o exige”, confessou.

Na sua intervenção, Manuel Nunes recordou que a estratégia do município para a sustentabilidade assenta em cinco eixos fundamentais, a educação ambiental, a divulgação científica, investigação e conservação da biodiversidade e o envolvimento social.

“De nada adiantaria estarmos a falar sobre isto para uma sala vazia”, expressou, salientando a necessidade das comunidades locais se envolverem a participarem nestes processos.

O responsável pelo pelouro do ambiente esclareceu, também, que para cada um destes  eixos há múltiplos projectos em curso, nomeadamente o projecto bioescola, bioescola 360 que tem como objetivo poupar a poupança dos recursos nos estabelecimentos de ensino, sendo as escolas ressarcidas por essa poupança, biolousada, o Biofest, entre outras.

Falando da investigação e conservação da biodiversidade, o vereador recordou que o município fez o inventário da fauna e da flora, estabeleceu planos de acção para a sua conservação, e pugnou pela preservação  do património natural, considerando este um activo económico.

“A Paisagem Protegida será uma área enorme. Proteger 12% do território é algo de bastante significativo. A uma micro-escala já vamos fazendo este trabalho como acontece com a mata de Vilar que foi adquirida pelo município  há uns anos atrás e que é, hoje,  o pulmão verde do concelho, sendo o único carvalhal que existe no município e tem uma área de cerca de 14 hectares”, expressou, recordando que o município  tem valorizado, também, o património privado, tendo estudado 50 casas senhoriais e encontrado 50 espécies botânicas algumas raras a nível nacional.

“Tudo isto porque os proprietários estiveram disponíveis para nos receber”, avançou.

O vereador relevou, também, a criação do Fundo Lousada Sustentável, que visa incentivar a cultura científica e a participação das crianças e jovens nas questões da sustentabilidade, tendo como destinatários os estudantes, desde o primeiro ano do ensino básico ao ensino superior.

A par destas ações, Manuel Nunes reconheceu que foi realizado um esforço no sentido de capacitar as pessoas para algumas acções concretas, promovendo projectos como os “Gigantes Verdes”, e a “Casa Ninho”.

“Percebemos que havia alguma dificuldade  dos dirigentes associativos em determinadas áreas e criamos um projecto de raiz financiado pela Comissão Europeia que está em curso com a finalidade de capacitar membros de associações e dirigentes de instituições para as áreas do ambiente.  Vamos criar charcos, são importantes para a biodiversidade, fixação de carbono, saber onde estão, pontos de água 600, construímos mais. Foi tudo feito com voluntários”, concretizou,  sustentando que foram plantadas 40 mil árvores, com o apoio de mais de 4500 voluntário nacionais e estrangeiros, o equivalente a mais de 12 mil horas de voluntariado.

Manuel Nunes recordou, também, o projecto Lousada Guarda Rios que pretende envolver as comunidades locais e trabalhar em parceria, num programa de inspeção e monitorização do estado ecológico dos rios e ribeiras de Lousada, através da adoção de troços de rio ou ribeira e da participação em ações de limpeza e melhoria ambiental, como seja a remoção de plantas invasoras ou infestantes e a plantação de árvores.

Quanto ao Rio Sousa, o autarca avançou que o município pretende implementar  o projecto de renaturalização das margens do rio Sousa, tendo como objetivo, devolver as margens ao rio, projecto que está à espera de financiamento.

Milene Marques, investigadora na Universidade de Aveiro, ressalvou o trabalho que o município tem desenvolvido na preservação e valorização dos seus recursos naturais.

“Não há nenhum município em Portugal  que tenha um mapa destes”, disse, numa alusão ao objectivo de Lousada avançar com os 12% de área protegida, uma meta que vai além dos objectivos estabelecidos pela União Europeia que é de 10%.

O presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, regozijou-se com o trabalho e a estratégia que foi definida pelo município para o ambiente e reconheceu que a implementação deste processo só fará sentido com o contributo de todos.

“Todos são conhecedores do trabalho que a câmara municipal tem vindo a desenvolver na área do ambiente, existe  uma estratégia que foi gizada há alguns anos e que passo a passo vai dando alguns frutos e têm motivado elogios e o reconhecimento público. Estamos a falar de uma estratégia que assenta em diversos pilares, desde logo o conhecimento científico, as parcerias com as universidades, a educação ambiental direccionada às escolas mas, também,  abrangendo as outras franjas da população e são cada vez mais as cidadãs e cidadãos que se têm-se associadas às muitas actividades”, concretizou.

O chefe do executivo reconheceu que o projeto da paisagem protegida do Sousa Superior estava pensado há muito tempo.

“Os 12% é um objectivo ambicioso, mas exequível e é apenas o primeiro passo porque a ideia depois é alargar esta percentagem de área protegida. A meta europeia é neste momento de 10%, estamos já acima deste valor. Queremos que esta área de alastre a montante e a jusante e que outras áreas possam integrar a rede natura. Há aqui muito trabalho feito que serve para melhorar a qualidade de vida das pessoas e queremos aceder a outro tipo de linhas de financiamento de fundos comunitários para esta área.  São cada vez mais as pessoas interessadas nas diversas acções materiais e imateriais que temos levado a cabo e isto dá-nos alento para continuar a apostar numa área que é fundamental para o nosso futuro, para o futuro das gerações vindouras”, assegurou.

O edil lousadense assumiu que o município está a fazer o seu trabalho e é expectável que outros municípios banhados pelo Sousa venham a aderir a este processo.

“ Estamos perante um projecto intermunicipal que é uma mais-valia”, afiançou, condenando, por outro lado, algumas más práticas e “atentados ambientais” de que o Sousa tem sido alvo.

“Dentro daquilo que são as ferramentas que estão ao nosso dispor temos feito uso delas. Ordenei a demolição de uma edificação que está a ser o principal foco poluidor do Rio Sousa, infelizmente as pessoas impugnaram a minha decisão e enquanto o tribunal não decidir não posso dar execução a essa ordem. Vamos ter de aguardar por essa decisão do tribunal que creio que nos vai ser favorável e logo que isso aconteça vamos dar sequência a essa ordem e vamos materializá-la porque todo este trabalho é inglório com todos esse pontos negros que ainda temos e é um factor de desacreditação”, asseverou.

 

 

 

 

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