Lousadense Joaquim Aires vence Bombeiro de Elite

Lousadense Joaquim Aires vence Bombeiro de Elite

Bombeiro Sapador do Porto foi o mais rápido a subir os 566 degraus do escadório do Bom Jesus em Braga, carregando 30 quilos de equipamento

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Joaquim Aires, 33 anos, de Cristelos, Lousada, ganhou no passado sábado, 28 de setembro, a 3.ª edição do Bombeiro de Elite, prova disputada no Bom Jesus em Braga e que este ano juntou cerca de 800 participantes de 11 nacionalidades.
A prova consiste em subir os 566 degraus do Santuário do Bom Jesus, numa distância de 615 metros e uma subida de 116 metros de altitude, no menor espaço de tempo.
Os concorrentes vão equipados como se estivessem no exercício das funções, carregando um total de 25/30 quilos, consoante os fornecedores dos equipamentos: Fato Nomex, botas, aparelho respiratório Arica, capacete e cógula de proteção (capuz que protege cabeça e tronco).
“É uma prova mesmo muito exigente e quem não estiver bem preparado fisicamente chega lá acima a ‘deitar sangue pela boca’. É o que eu chamo de uma cronoescalada. É sempre a subir e a derreter”, disse o bombeiro sobre a sua terceira participação nesta prova.


Joaquim Aires, Bombeiro Sapador do Porto, desde 2010, perdeu as duas primeiras edições para Paulo Santos (Sapadores de Lisboa), quer na classificação absoluta quer no seu escalão (30 aos 35 anos) e este ano a história parecia repetir-se, pois o lisboeta bateu o seu próprio recorde (baixou dos 5m44s em 2018 para 5m32s). Contudo, o lousadense fez ainda melhor, concluindo a subida em 5m26s: “Fiz a prova com um colega a apoiar-me e a puxar por mim e quando chegámos lá acima ele disse que eu tinha ganho com um tempo de 5m30s pelo relógio dele. Eu não acreditei porque as sensações eram piores que as do ano anterior e só acreditaria quando saíssem os tempos oficias. Quando fomos para a cerimónia do pódio e eles anunciaram que o melhor tempo absoluto era do Joaquim Aires foi como sair o euromilhões. Andar há três anos a tentar ganhar e conseguir fazê-lo, com o recorde, é uma satisfação muito boa”.


Joaquim Aires é praticante de forma recreativa de ciclismo de estrada e confessou que essa preparação foi fundamental, tendo optado por não efetuar treino específico para esta prova, ao contrário das edições anteriores: “Nos outros anos comecei a correr dois ou três meses antes. Cheguei a ir com colegas ao escadório para tirar tempos e fazer umas séries todo equipado e cheguei à conclusão que isso é bom para quem não treina durante o ano. Desde novembro do ano passado que faço uma média de 1500 quilómetros por mês de bicicleta e disse mesmo ao meu chefe que até ao dia da prova não ia correr, pela simples razão de não querer estragar a preparação do ciclismo”.
Apesar de não ter feito uma preparação específica, Joaquim Aires confessou ter usado uma estratégia que passou por partir mais para o final da competição para evitar concorrentes mais atrasados e ultrapassagens e mudanças de direção desnecessárias: “A prova é aberta a profissionais e voluntários. Normalmente eu fico mais para o fim, para não apanhar os bombeiros mais atrasados pelo escadório, porque muitos deles encaram esta prova como um convívio e vêm apenas para participar”.
Para vencer uma prova tão exigente fisicamente, imagina-se um atleta de forte compleição física e uma pessoa robusta e musculada, um estereótipo facilmente desmistificado por Joaquim Aires: “Nesta prova quanto mais pesados formos pior. É o mesmo que imaginar subir uma corda, uma pessoa mais magra tem mais facilidade. Na nossa profissão temos de ter força. O trabalho de bombeiro é muito físico e técnico, mas se fores gordo/pesado vais sentir mais problemas”.

Este é um evento que apesar de “jovem” tem ganho grande notoriedade, quer nacional quer internacional, como clarificou o vencedor: “No primeiro ano as inscrições julgo que estavam limitadas a 200 ou 300. O ano passado aumentaram para 400 e já apareceram muitos estrangeiros e este ano duplicaram. Foram 800 bombeiros de 11 nacionalidades. É uma prova que está a ganhar uma grande dimensão”.
Na geral absoluta feminina a vitória foi para uma jovem polaca, Kasia Jakubek, de 18 anos, que está em inicio de carreira.

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