O Milagre dos Rosas

O Milagre dos Rosas

Os artigos publicados neste espaço são da inteira responsabilidade dos seus subscritores

291
0
COMPARTILHE

As contas do Município de Paredes de 2018 foram recentemente apresentadas pelo seu presidente como se de um autêntico milagre se tratasse. E logo a máquina de propaganda socialista se encarregou de espalhar a mensagem!
Que não se faça confusão com a Lenda do Milagre das Rosas na qual a rainha D. Isabel mostrou a D. Dinis que os pães para a caridade que levava no seu regaço se haviam transformado em belíssimas rosas. Acreditar nesta lenda é uma questão de fé!
No caso das contas do Município de Paredes, podemos por de lado a fé (ou falta dela) pois podemos basear-nos num Documento de Prestação de Contas cuja veracidade eu não questiono e são a base deste artigo, conforme facilmente se pode comprovar.
Sendo assim, interessa saber as razões para o tão aclamado (in)sucesso na gestão do município de Paredes e perceber se a sua política de pão (pouco) e circo (a toda a hora) deu lugar também neste milagre a umas belas rosas.
Estranha-se desde logo o facto de a descida do passivo aparecer como corolário de todo este “caso de estudo”, como se fosse suficiente por si só para se aferir o que quer que seja!
De uma forma simplista, chama-se passivo ao conjunto de fundos obtidos externamente, seja através de empréstimos, seja através do diferimento de pagamentos e ativo a tudo aquilo que se possui e que é susceptível de ser avaliado em dinheiro, créditos sobre clientes, stocks de mercadorias, equipamentos, instalações, etc…
Assim, mesmo acreditando que o passivo baixou efetivamente 7 milhões de euros (na verdade as contas mencionam pouco mais de 6,7 milhões) não se pode deixar de referir que o ativo baixou quase 9 milhões.
Traduzindo para a linguagem futebolística, é como se um treinador entrevistado no final de um jogo se sentisse maravilhado com o facto da sua equipa ter marcado um golo, apesar de ter sofrido três e perdido o jogo.
Assim, mais do que descida do ativo e do passivo, a saúde financeira deve ser medida recorrendo ao Índice de Solvência que em 2018 é de 19,58%, que para além de ser reduzido reflete uma descida face ao ano anterior. Isto significa que a capacidade do Município de Paredes honrar os seus compromissos futuros diminuiu. É este o tão badalado milagre!
Por outro lado, apesar de vivermos uma conjuntura económica favorável, nomeadamente em termos de taxas de juro, o que nas contas do Município de Paredes possibilitou uma poupança superior a 300 mil euros, de um aumento dos impostos e taxas arrecadados (ou seja pagos pelos paredenses) de cerca de 1,2 milhões de euros, as contas degradaram-se, tendo sido apresentado um Resultado Líquido do Exercício negativo de quase 1,8 milhões de euros.
E obra, nem vê-la! Para se ter uma noção, as Despesas em bens de Capital (bens capazes de gerar um fluxo de riqueza no futuro) passaram de 16,28 milhões de euros em 2016 para 7,97 milhões em 2017 e 4,39 milhões em 2018.
Refira-se ainda que ao contrário dos 100 milhões de dívida de que muitas vezes se ouve falar, as contas referem uma dívida total em 2018 de 47 milhões de euros, inferior à de 2017 mas ainda assim superior à de 2016.
Os números são o que são, Paredes regrediu em 2018!

Pedro Ribeiro da Silva

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA