O Pagador de Promessas

O Pagador de Promessas

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Paredes voltou a merecer destaque na imprensa nacional e desta feita não foi por causa do plágio praticado por nenhum vereador do seu executivo camarário. O motivo foi o aumento do prazo de pagamentos aos seus fornecedores de 100 dias no final de 2017 para 217 dias no final de 2018, o que torna o Município de Paredes o pior pagador da Área Metropolitana do Porto. Esta situação corrobora as maiores dificuldades do Município de Paredes em honrar os seus compromissos futuros traduzida nas suas contas de 2018 pela diminuição do Índice de Solvência e reforça as conclusões da Bloom Consulting acerca da regressão do município de Paredes.
Enquanto isso, foi com alguma surpresa que assisti ao enorme alarido em torno do facto do Presidente da Câmara de Paredes integrar uma peregrinação a pé, rumo ao Santuário de Fátima e das suas motivações.
Se o fez por devoção, a título pessoal, merece todo o meu respeito. Mas nesse caso, não entendo a promoção mediática, inclusivamente nas redes sociais do município, efetuada em torno de um peregrino de entre os milhares que se deslocam a Fátima nesta época.
Se o fez para retirar dividendos políticos de uma manifestação religiosa, creio que misturar política com religião não abona a favor de uma nem de outra. Não se trata de participar numa procissão ou numa romaria popular em representação do município, trata-se de um aproveitamento da fé dos crentes. Na política, como na vida, os fins não podem ser a única coisa que interessa, independentemente dos meios e dos princípios.
Se a participação na peregrinação se cingiu a tirar as fotografias da praxe, apenas para aparecer, então estamos num patamar que já não tem como baixar o nível da decência política.
Se não foi por nenhuma das anteriores, então só pode ter sido para agradecer as obras “em marcha” que o executivo anterior deixou e que têm sido aproveitadas como se fossem suas, naquela que já é conhecida como a “boa herança” do município de Paredes.
Para evitar esta névoa de interpretação, ainda para mais vindas de pessoas de partidos de esquerda assumidamente republicanos e laicos (mas apenas quando lhes convém), deixo a ideia da contratação de um Pagador de Promessas.
O Pagador de Promessas é uma figura que surgiu na Idade Média, que as pessoas mais ricas contratavam para em nome delas cumprir uma promessa, percorrendo os Caminhos Sagrados. Mas desengane-se quem pense que este negócio é algo de um já remoto passado medieval. Pesquisando na internet encontram-se sites e blogues de Peregrinos e Pagadores de Promessas que mediante um pagamento monetário se propõe a efetuar caminhadas de peregrinação ao Santuário de Fátima ou até a locais de peregrinação internacionais, em nome de um “cliente” que tenha que tenha uma promessa para cumprir e não o possa (ou queira) fazer.
Talvez se já tivesse efetuado esta contratação, o PS já teria cumprido algumas das suas promessas: já teria baixado o IMI para o valor legal mais baixo (0,3%), já teria garantido os medicamentos gratuitos para todos os maiores de 65 anos, já teria reduzido o preço da água para todos, já teria alargado a rede de água e saneamento, já teria os parques infantis operacionais em março ou apresentado a auditoria em abril.

Pedro Ribeiro da Silva

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