Oh p´ra mim tão boazinha a ajudar a pobrezinha!

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No início deste mês foi apresentado o Rating Municipal Português (RMP), que avalia a sustentabilidade dos municípios portugueses integrando quatro dimensões de análise: – “Governance”, Serviço à População, Desenvolvimento Económico e Social e a Sustentabilidade Financeira.
Em 308 municípios, Paredes classificou-se no global no lugar 121º, assumindo particular destaque o 17º lugar na “Governance” e o 229º lugar no Serviço à População.
Aproveitando-se do desconhecimento generalizado dos parâmetros em questão, a Câmara Municipal de Paredes logo veio anunciar aos sete ventos que Paredes era o 17º município com melhor governação do país. Acontece que o item “Governance” não tem a ver com a qualidade da governação, mas sim com o grau de transparência com que esta é efetuada, com índices como a taxa de abstenção, o orçamento participativo, a estabilidade política, a percentagem de votação do partido mais votado ou a participação pública nas reuniões. Curiosamente, ignorou que no Serviço à População este sim diretamente relacionado com o desempenho do executivo camarário, com índices como a recolha do lixo, água e saneamento básico, acesso e qualidade dos transportes urbanos, apoios sociais, o nível de qualificação, a área verde a dividir pelo número de fogos do município, cultura e desporto, Paredes caiu 155 lugares desde 2016.
Como diria António Aleixo, “Para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade.”
Ainda não nos tínhamos recomposto deste episódio e logo o executivo camarário de Paredes se encarregou de nos deixar uma nova pérola: o Cartão Família, a quem já todos chamam de “Cartão dos Pobres”.
O Cartão Família foi apresentado no Dia Internacional da Família, com o aparato mediático a que já nos habituou.
Mas desengane-se quem como eu pensava que se trata de um apoio com o objetivo de aumentar a natalidade, situação que se deteriorou de tal forma que fez com que Portugal em poucos anos se tornasse num dos países com população mais jovem num dos países com população mais envelhecida, com a taxa de fecundação mais baixa da união europeia.
Trata-se de um cartão que confere descontos na aquisição de produtos e serviços junto de parceiros e a participação gratuita nas atividades de cariz cultural organizadas pelo Município de Paredes.
De que forma é que vai “assegurar a igualdade de oportunidades e de direitos e de proteger todos aqueles que vivenciam situações de pobreza e exclusão social” e dinamizar o comércio local?
Estou para ver…
Mas receio que este projeto:
Não seja abrangente pois apenas se destina a pessoas em situação de extrema carência: agregados familiares com um rendimento mensal per capita de pouco mais de 200 euros, o que deixa de fora muitas famílias carenciadas.
Não dinamize o comércio local porque as pessoas com esse nível de rendimentos não poderão infelizmente fazer um volume de compras significativo.
Não traga benefícios significativos porque os produtos mais procurados por estas pessoas têm normalmente margens de comercialização baixas, não permitindo descontos significativos.
Exclua pessoas carenciadas que não queiram ser rotuladas como pobres, pois poucos se disporão a apresentar um cartão que os distinga como tal.
Em suma, não vá de encontro às reais necessidades das pessoas carenciadas e seja apenas mais um número de autopromoção do executivo camarário ao nível da Merdaleja, terra da Maximiana, personagem fantástica criada pelo não menos fantástico Herman José.

Pedro Ribeiro da Silva

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