Paredes com dispositivo de dez elementos para “atacar” época de incêndios florestais

Paredes com dispositivo de dez elementos para “atacar” época de incêndios florestais

Comandante da corporação assegura que meios são suficientes, mas tudo irá depender das condições climatéricas e do número de ignições.

250
0
COMPARTILHE
Fotografia: Câmara de Paredes

O Comandante dos Bombeiros de Paredes, José Morais, disse ao nosso jornal, que a corporação dispõe de um total de dez elementos para “atacar” a época de incêndios florestais, mais os voluntários da associação, caso estes venham a ser necessários.

“Existe um dispositivo que está instalado, os meios do dispositivo são aqueles que são habituais, dispomos de uma equipa de combate a incêndios rurais constituída por cinco elementos em permanência para esse tipo de atividade e paralelamente dispomos de outra equipa de intervenção permanente com cinco elementos. Estamos a falar de uma capacidade de saída imediata de dez elementos, mais o reforço dos voluntários caso se venha a justificar”, disse, reconhecendo que nas ocorrências de maior amplitude não há nenhum corpo de bombeiros que esteja por si só preparado para as resolver.

“Existe uma circunstância que em proteção civil se chama o princípio da subsidiariedade, que é o de quando não consigo, alguém vem ajudar. Este mecanismo está bem oleado. Agora, tudo depende do número de ocorrências. Se as ocorrências forem poucas, mesmo que grandes, há capacidade de mobilização. Existem recursos no distrito e no país para fazer face a situações de grande amplitude. Agora, se existirem várias ocorrências de grande amplitude por todo o país, os meios têm que se distribuir”, frisou.

A este propósito, o responsável pelo corpo ativo dos Bombeiros de Paredes realçou que o distrito do Porto é o distrito no país com maior número de ignições, sendo que os concelhos de Paredes e Penafiel são aqueles  que no distrito do Porto têm o maior número de ocorrências.

“O distrito não tem a maior área ardida, mas tem o maior número de ignições que é um fenómeno que deveria ser estudado  porque é algo que não devia acontecer. Não é nada agradável estar nesse patamar de ser o distrito com maior número de ocorrências”, acrescentou, justificando estes valores com uma cultura de muitos anos de queima de sobrantes e de alguma negligência.

“Estamos a falar de uma prática que sempre  foi assim. Os nossos avós já queimavam os sobrantes da exploração agrícola e é muito difícil inverter esta tendência e isso terá que partir dos mais jovens e das escolas. Esta pedagogia tem sido feita porque é uma obrigação da Autoridade Nacional de Proteção Civil e cumulativamente dos corpos de bombeiros também, pedagogia que tem passado também pela área de emergência pré-hospitalar”, sustentou, relevando que a inversão desta mentalidade só é possível com uma cultura de segurança que nasce na escola.

“É um processo que vai demorar alguns anos, mas que tem de  partir daqui. Há poucos anos atrás eram poucas as pessoas que faziam separação de resíduos. O plástico e o papel iam para o mesmo sítio. Na área dos incêndios florestas, que é um flagelo no país, temos um percurso grande a percorrer”, sublinhou.

Referindo-se ainda à época de incêndios florestais, José Morais confirmou que  nos anos em que existem incêndios em maior número e maior área ardida, estes derivam, na sua maioria, das condições climatéricas.

“Se tivermos um Verão seco, cm temperaturas secas e eventualmente com ondas de calor, muito do trabalho que tem sido feito de prevenção pode valer de pouco em especial nas área de maior risco florestal”, referiu, confirmando que é  fundamental que a questão das limpezas se mantenha em especial nos perímetros urbanos de forma a que as pessoas salvaguardem as suas habitações.

“Temos de ter a perceção que isto não acontece apenas aos outros e temos a obrigação moral, por uma cultura de segurança, de zelar pelos nossos bens, minimizando os danos que possam advir de eventuais ignições”, declarou, expressando que a articulação entre os Bombeiros de Paredes e a câmara municipal tem funcionado e sido determinante na promoção da proteção civil e na sensibilização da comunidade para esta temática.

“A articulação com a câmara municipal tem sido realizada, a existência de serviços municipais de proteção civil fez com que haja uma maior proximidade entre os responsáveis políticos e os responsáveis operacionais. São áreas diferentes mas que têm de estar interligadas. Temos tido um excelente relacionamento com a câmara municipal e verificamos que existe sensibilidade para estas matérias  e interessa-nos que as pessoas percebem, mesmo que não existam recursos financeiros, quais são as carências, as necessidades e quais são os objetivos. Temos de continuar o caminho e a agilizar procedimentos”, avançou.

 

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA