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Presidente da Câmara de Lousada classificou de histórica inauguração da circulação elétrica do Troço Caíde-Marco de Canaveses

Troço Caíde-Marco de Canaveses numa extensão de 14,2 km é uma obra que permite um serviço ferroviário entre o Porto e o Marco de Canaveses sem transbordo e em condições de tração elétrica.

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O presidente da Câmara de Lousada, Pedro Machado, classificou, esta manhã, na presença do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, a inauguração da circulação elétrica no Troço Caíde-Marco de Canaveses como sendo uma data história e uma obra com impactos significativos para a região.

A cerimónia, organizada pelas Infraestruturas de Portugal, contou com a presença de vários autarcas da Comunidade Intermunicipal e da Área Metropolitana do Porto, assim como representantes das Infraestruturas de Portugal.

“Se pensarmos nos avanços e nos recuos que esta obra teve ao longo dos tempos, muitos duvidariam que fosse  possível que estivéssemos um ano depois a festejar a conclusão de um grande objetivo para a região que vai fazer a diferença para a vida das pessoas”, disse, salientando que a inauguração da circulação elétrica no Troço Caíde-Marco de Canaveses trará mais benefícios para o Marco de Canaveses do que para Lousada.

“Para Lousada os ganhos não serão tantos quanto isso porque felizmente Caíde já estava servido com a eletrificação da linha, mas para os concidadãos do Marco de Canaveses, Amarante e todos os outros dos concelhos vizinhos que se servem das estações e dos apeadeiros para usufruir deste transporte de excelência vai fazer seguramente a diferença”, confirmou, elogiando a aposta do atual Governo na ferrovia.

“Não há memória de um primeiro-ministro ter vindo a Lousada três vezes numa legislatura e se pensarmos que este ano cá esteve justamente pela ferrovia, diz bem da importância que este Governo dedica à ferrovia. A região está-lhe grato por esta aposta, por esta visão”, disse, sustentando que Lousada foi dos primeiros concelhos a usufruir da ferrovia a nível nacional.

A inauguração da circulação elétrica do Troço Caíde-Marco de Canaveses faz parte do projeto de modernização da linha férrea do Doutro e tem como objetivos potenciar o serviço regional entre Porto, Marco e Régua, prolongar a prestação do serviço urbano até Marco de Canaveses e criar um serviço intercidades até à Régua.

A intervenção tem, também, como objetivos garantir a melhoria e qualidade e segurança do serviço ferroviário ao dispor das comunidades servidas pela linha do Douro. Pretende-se com este investimento reforçar o papel do transporte público ferroviário através do aumento da eficiência e da competitividade do serviço urbano com benefícios diretos  para mais de 900 mil passageiros.

Segundo a Infraestruturas de Portugal, a eletrificação e renovação da circulação elétrica do Troço Caíde-Marco de Canaveses  numa extensão de 14,2 km é uma obra que permite um serviço ferroviário entre o Porto e o Marco de Canaveses sem transbordo e em condições de tração elétrica.

Na intervenção que foi feita entre Caíde e o Marco foi renovada integralmente a superestrutura de via, carris e travessas, as estações e apeadeiros e os atravessamentos pedonais e rodoviários.

Na eletrificação foram instalados mais de 160 postes, despendendo 22 km de catenária, sendo que a monitorização à distância vai permitir o seccionamento da catenária.

Na estação da Livração foram reorganizadas as plataformas e acessos para uma circulação mais intuitiva e segura tendo em conta os utilizadores com mobilidade condicionada. A mesma preocupação foi tida nos apeadeiros de Oliveira e Recesinhos.

Na estação do Marco de Canaveses foi feita uma utilização do layout para os comboios elétricos. A adaptação dos túneis para permitir a eletrificação foi efetuada através do rebaixamento da via, do reforço estrutural com vista ao aumento da segurança, tendo sido implementadas novas soluções de drenagem.

A circulação elétrica do Troço Caíde-Marco de Canaveses implicou um investimento de 10 milhões e meio de euros e um envolvimento de 585 trabalhadores e de 70 empresas.

Ainda segundo as Infraestruturas de Portugal, a inauguração da circulação elétrica do Troço Caíde-Marco de Canaveses vai potenciar a mobilidade sustentável, com vantagens ambientais.

O primeiro-ministro, António Costa, reconheceu que a conclusão desta obra irá permitir poupar aos utilizadores do Marco que se deslocam para o Porto diariamente sete minutos por dia, 1 hora e 10 minutos, ao fim de uma semana e dois dias e meio de poupança, ao fim de um ano.

“Ganhamos tempo, ganhamos maior segurança da viagem porque as intervenções nos três túneis ajudaram à sua consolidação. Ganhou-se, também, em comodidade e em eficiência com a renovação da linha”, especificou.

O governante, na sua intervenção, atalhou que esta não é uma obra isolada, mas antes uma grande peça do Programa Ferrovia 2020, sendo este o maior programa ferroviário das últimas décadas, num investimento de dois mil milhões de euros.

A par do investimento na linha ferroviária, António Costa recordou que o seu Governo vai investir na aquisição de novas composições, na reabilitação de composições, juntamente com o investimento nos sistemas de sinalização e segurança.

“Há ótimas razões para investir na ferrovia, por um lado porque diminuiu a dependência externa do país em matéria energética e por outro lado, melhora as condições de produtividade das nossas empresas, da sua exportação por via terrestre para o continente Europeu”, adiantou, avançando que que é determinante alterar o paradigma energético e a dependência das energias fósseis.

Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas, ressalvou que a eletrificação é hoje uma realidade até Marco de Canaveses, tendo o transbordo em Caíde terminado, enfatizando que a intervenção gizada além da eficiência energética irá potenciar ganhos económicos e fomentar a mobilidade.

“Esta obra justifica-se pelo respeito que o país deve à população desta região e a todas as pessoas que diariamente utilizam esta linha”, referiu, sublinhando que este é também um direito das pessoas que não vivem no litoral.

Pedro Nuno Santos ressalvou, também, a aposta que o atual Governo tem feito na ferrovia.

“Ao contrário do que fazia o resto da Europa e a nossa vizinha Espanha, paramos o investimento na ferrovia e fechamos linhas ferroviárias. Um erro grave que o país cometeu durante décadas e vai demorar tempo a recuperar a nossa capacidade ferroviária”, atalhou, assegurando que a ferrovia não é um meio de transporte do passado, mas do futuro.

O ministro das infraestruturas recordou, também, que além do investimento na ferrovia o Governo irá fazer um investimento em material circulante, tendo encomendado mais de duas dezenas de comboios novos que chegarão em 2023.

“Temos um programa que permitirá recuperar material que estava encostado que vamos injetar na rede de transporte ferroviários”, assegurou, ressalvando que o Governo fez, também, um reforço dos trabalhadores da CP.

Já a  presidente da Câmara do Marco de Canaveses, Cristina Vieira, realçou a aposta e o esforço deste Governo na ferrovia, sendo esta uma obra há vários anos ambicionada pela região.

A autarca concordou que a implementação dos passes sociais e do programa PART, programa de apoio à redução do preço dos transportes públicos em todo o país, teve impactos significativos no território., em especial as famílias que usam o comboio para se deslocar até ao Porto.

Além do investimento na ferrovia, a chefe da autarquia do Marco de Canaveses aludiu à necessidade do Governo investir na rodovia, apontando o IC35 como um desiderato fundamental para o desenvolvimento da região.

O presidente da Junta de Freguesia de Caíde de Rei, Adão António Moreira, admitiu que a inauguração da circulação elétrica no Troço Caíde-Marco de Canaveses era uma aspiração antiga que vai aproximar os concelhos de Lousada e Marco de Canaveses.

“Era importante para os dois concelhos terem esta ligação uma vez que somos dois concelhos vizinhos e é mais uma forma de nos unirmos. O terminal vai ficar sempre em Caíde de Rei, ficamos com uma ligação mais rápida e com mais qualidade e com menos transtornos para os utilizadores e ficamos mais perto do Marco de Canaveses”, disse, sustentando que com a inauguração da circulação elétrica no Troço Caíde-Marco de Canaveses, o fluxo de trânsito a Caíde irá abrandar.

“A Junta teve o cuidado de alugar um espaço para criar espaços para estacionamentos e provavelmente vamos ter estacionamentos em maior quantidade para fornecer a outros utilizadores da rede ferroviária”, frisou.

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