PS consolida votação e PSD admite que resultados não foram os esperados

PS consolida votação e PSD admite que resultados não foram os esperados

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À semelhança do que aconteceu no país, no concelho de Lousada, o PS venceu em quase todas as freguesias do concelho.

Num concelho liderado por Pedro Machado e com o PS a ser o partido mais votado nos últimos anos em vários escrutínios eleitorais, o Partido Socialista obteve 40,28% contra 26,54% do PPD-PSD.

O Bloco de Esquerda foi a terceira força política mais votada, com 7,49%, seguindo-se o CDS-PP, com 4,14% e o PAN e a CDU fixou-se nos 3,0%.

Registe-se, ainda, que na União de Freguesia de Figueiras e Covas verificou-se um empate com os dois maiores partidos a obterem 34,48% dos votos.

José Santalha

Portugal rejeitou extremismos

José Santalha, presidente da Comissão Política Concelhia do PS Lousada, numa análise aos resultados do partido, ressalvou amplitude geográfica e percentual dos votos no partido.

“Vencemos na esmagadora maioria das freguesias, superamos os 40% e ultrapassamos o resultado do partido a nível nacional. Julgo que foi uma vitória justa perante uma campanha eleitoral em que os adversários mais diretos resolveram atacar o PS de todas as maneiras e feitios esquecendo-se de centrar o debate no que é essencial, ou seja, nas questões europeias. Penso também que esta vitória traduz que Portugal rejeitou extremismos, preferindo quem defende a integração europeia, a sua União e a solidariedade entre os povos”, concretizou, confirmando que o PS Lousada aumentou a votação em Lousada.

José Santalha declarou, também, que a elevada abstenção era algo já esperado.

“Infelizmente a elevada abstenção era algo esperado, mas há que enquadrar outro dado. De 2014 para 2019 a abstenção aumentou residualmente em Lousada, mas em contrapartida tínhamos mais 743 eleitores – o que efetivamente acabou por acontecer em grande parte do país. Ainda assim, julgo que todos os partidos devem mudar a sua forma de estar relativamente à campanha eleitoral. Devem-se centrar no que é essencial e não podemos continuar a cada ato eleitoral dizer o mesmo de sempre relativamente à abstenção. Por outro lado, respeito muito quem na sua liberdade optou por não votar, mas também julgo que existe uma parte significativa da população que resolveu não prescindir de uns minutos para exercer o seu direito ao voto, não por estar contra os partidos (até porque teria outras variadíssimas opções e com esse tipo de posição), mas por achar que esta eleição não lhes dizia muito”, manifestou.

Sobre se as eleições europeias podem servir de balão de ensaio para as Legislativas, o presidente do PS Lousada afirmou:  “Seria bom que esta realidade se mantivesse e até fosse reforçada. Convém realçar que PSD e CDS apostaram tudo em centrar estas eleições no combate ao governo e a António Costa, inclusive tentando associar o candidato Pedro Marques a outros intervenientes do passado. Esta estratégia falhou redondamente e, se era uma leitura nacional que a direita pretendia para estas eleições, aí o têm. Por princípio acho que cada eleição tem a sua realidade, as suas particularidades e o seu enquadramento, não devendo extrapolar para outros atos eleitorais. Contudo, face à proximidade das legislativas e aos apelos da direita relativamente a transformar este ato eleitoral numas pré-legislativas, com o envolvimento de António Costa, os resultados poderão ser um sinal para o que aí vem. O mais sensato é aguardarmos para ver o que aí vem”, concluiu referindo ao trabalho realizado pelo Governo e o PS nas contas públicas.

“Julgo que este é um caminho correto, sério e que transmite credibilidade ao partido junto das pessoas”, expressou.

Simão Ribeiro

PSD vale mais do que isto

Simão Ribeiro, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD Lousada, reconheceu que os resultados obtidos pelo PSD não foram os esperados.

“Obviamente não estou contente. O PSD vale mais do que isto”, disse, reconhecendo que a estratégia adotada não foi a mais adequada.

Nesta questão, o líder do PSD Lousada confirmou que António Costa conseguiu, de alguma forma, nacionalizar as eleições para o Parlamento Europeu, tendo os demais partidos, com exceção de alguns, seguido pelo mesmo caminho.

Simão Ribeiro considerou, também, que a questão dos professores acabou por afetar a campanha do candidato social-democrata, Paulo Rangel, perante um “hábil” primeiro-ministro que chegou a fazer passar a mensagem que o PSD era um partido “irresponsável”.

Falando da abstenção, Simão Ribeiro considerou que o afastamento da população face aos assuntos da Europa, assim como o facto de pouco se falar dos temas relacionados com a Europa, ajudou a explicar a elevada abstenção.

Além do alheamento da maioria dos portugueses, o responsável pela Comissão Política Concelhia do PSD Lousada confirmou que as campanhas foram demasiado focalizadas nos temas nacionais, com os partidos políticos a culpabilizarem, quase sempre, a Europa pelas políticas menos conseguidas, esquecendo-se de a valorizar pelas políticas conseguidas.

“A população portuguesa necessita de mais literacia política”, avançou, assumindo que não é possível estabelecer um paralelismo entre as eleições europeias e as legislativas.

António Mendes

Implementar a obrigatoriedade do voto

 

António José Mendes, do CDS-PP Lousada, recordou que no concelho, nos últimos 10 anos, o CDS tem ficado a dois/três pontos percentuais abaixo da votação nacional do partido, tendência que se manteve nestas eleições europeias (4.1% em Lousada vs 6.2% em Portugal).

“Consequentemente, os resultados do CDS em Lousada estão em linha com os resultados nacionais. Logo se o partido teve um mau resultado nacional, o resultado em Lousada também é negativo”, disse, salientando que a abstenção nas eleições europeias é historicamente elevada, pelo que se esperava uma abstenção em linha com as Europeias de 2014.

“Se excluirmos os ciclos da emigração, a abstenção no território nacional ficou ligeiramente abaixo da registada em 2014 (64.68% vs 65.34%). A elevada abstenção nas eleições europeias é uma tendência verificada na maioria dos 28 Estados-membros. No curto prazo a abstenção em eleições europeias pode ser combatida fazendo coincidir eleições nacionais com europeias (como aconteceu este ano em Espanha, que realizou autárquicas e regionais). Alternativamente, pode-se implementar a obrigatoriedade do voto, como faz a Bélgica”, expressou, salientando que no longo prazo, tem que se explicar aos cidadãos impactos das decisões europeias no quotidiano do cidadão, que é extremamente vasto”, avançou, sustentando que só com pedagogia se consegue fazer convergir a participação nas eleições europeias com a participação nas legislativas.

Questionado sobre se as eleições europeias podem servir de balão de ensaio para as Legislativas, António José Mendes reconheceu que existe sempre a tentativa de extrapolar resultados das eleições europeias para legislativas, especialmente quando as mesmas são próximas, mas acredita que  “os portugueses sabem distinguir as eleições. No passado já tivemos partidos com bons resultado nas europeias que não se repetiram nas legislativas, assim como o seu inverso. Acredito que as eleições europeias podem, eventualmente, ajudar a identificar tendências nos principais partidos. Por exemplo é curioso verificar que o PSD e o CDS juntos tenham tido a mesma votação face a 2014 (27.71% em 2014 vs 28.13% em 2019), apesar de terem perdido cerca de 1 milhão de votos face às legislativas”.

Xavier Pires

“Muitas cidadãos depositaram o seu voto como um voto útil no PS”

Xavier Pires, da CDU Lousada, reconheceu que condicionamento dos resultados eleitorais residiu em parte na elevada abstenção.

“Os resultados da CDU foram menos simpáticos talvez devido ao facto de apesar não fazer parte integrante do Governo mas sim o suporte parlamentar deste, com a persistência que é característica muitas  propostas feitas em sede parlamentar foram da CDU em prol melhoramento das condições de vida (reposição dos feriados, ordenado mínimo, abono de família, aumento das reformas, doenças que não eram consideradas crónicas apoio estatal na medição dessas mesmas, os cuidadores informais, etc, etc. Só que a maioria da população não ouve nem vê os debates e de quem propõem para facilitar o mínimo de dignidade humana à população. Muitas cidadãos depositaram o seu voto como um voto útil no PS, uma vez que são estes e por si só que fazem e integram o Governo”, disse.

Xavier Pires realçou, também, que as condições de vida dos portugueses têm vindo a aumentar pelo que considerou que os resultados obtido nas europeias podem vir a ter algum impacto nas legislativas, a manter-se a conjuntura económica de crescimento.

“Se houver continuidade nas melhorias de vida nestes próximos tempo e antes das legislativas é natural que estas eleições sejam um balão de ensaio. Creio que não irá haver tanta abstenção nas próximas eleições, devido ao facto de que muitas pessoas pensem que as eleições europeias não tem muito a ver connosco, o que é nem contrário ao que a maioria dos cidadãos pensam (é analfabetismo político e infelizmente é o que mais há na maioria da população)”, expressou.

 

 

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