Reconstituição de escola do Estado Novo juntou pais e filhos

Reconstituição de escola do Estado Novo juntou pais e filhos

Mostra está integrada no projeto Paredes Educa - Construir Mais Sucesso", e pode ser vista pelos demais agrupamentos e comunidade escolar do município durante o ano.

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Várias famílias ( pais e filhos)  participaram, este domingo, no workshop intergeracional que decorreu na Escola Básica de Cete, num verdadeiro encontro geracional que deu a conhecer a escola e os aspetos relacionados com a educação no Estado Novo.

Este  workshop Intergeracional “A escola de ontem e de hoje, que futuro?” decorreu no âmbito do projeto “Paredes Educa – Construir Mais Sucesso”, tendo sido dirigida às famílias que tiveram oportunidade de visitar ver “in loco” a reconstituição de uma escola do Estado Novo, o ambiente e o seu espaço físico, com todos os elementos que a constituíam e que foram a base do ensino durante décadas em Portugal, tendo moldado toda uma geração de portugueses.

Nesta atividade, as várias famílias inscritas tiveram a oportunidade de fazer, uma vista à exposição “Memórias da Escola: 100 anos de ensinamentos”, e visualizar um pequeno video, integrando testemunhos de vários cidadãos paredenses que frequentaram a escola no Estado Novo, o sistema de aprendizagem, à data, a figura do professor, como eram as brincadeiras no recreio, entre outros aspectos.

O workshop terminou com partilha de experiências e “escritaria” no livro das memórias da escola e teve, também, como propósitos dar a conhecer aos mais novos como era a instrução e o ensino no Estado Novo.

Antónia Silva, arqueóloga da Câmara de Paredes, destacou  que a autarquia  teve a ideia de musealizar a sala de aula do Estado Novo na Escola básica de Cete, um espaço que estava liberto, tendo o espólio que constituiu a exposição sido recolhido de várias escolas do município que entretanto foram desativadas.

“Reunimos este material para exemplificar o que era uma sala de aulas do Estado Novo. A exposição  irá manter-se neste estabelecimento de ensino e estará disponível para visitas sempre que os alunos de outros estabelecimentos de ensino o solicitarem”, afirmou, sublinhando que foi necessário  realizar o inventário de todo o material, realizar um percurso por todas as escolas que foram desativadas para recolher o espólio, identificá-lo, inventariá-lo, perceber a sua importância e significado, recriar o espaço, perceber o contexto histórico da altura, assim como perceber a importância do ensino-aprendizagem à data

Antónia Silva recordou que quem se deslocar à Escola Básica de Cete poderá respirar o ambiente de uma sala de aulas do Estado Novo, com as carteiras, a mesa do professor, visualizar outros elementos como o relógio que poderia estar na parede ou de pé,  os estadistas da nação, isto é, o Presidente da República e figura de Salazar , elementos obrigatórios, e que encontravam obrigatoriamente no topo da sala, entre outros.

Outros dos elementos obrigatórios destas salas e que é possível identificar nesta recriação é o crucifixo que se encontrava ao centro sa sala de aula o quadro de lousa que poderia ser colocado na parede ou amovível, as caixas métricas, que guardavam o espólio métrico que ajudavam a aprendizagem dos mais novos com os diferentes sistemas de medida.

“ As caixas métricas guardavam o metro, as medidas dos líquidos, as medidas dos sólidos, as balanças que as crianças à data tinham de conhecer e que os alunos ainda hoje aprendem embora o material e a matéria-prima de que são feitos é mais simples”,  expressou, avançando que a mostra tem, também, patente outros elementos como a sacola usada para transportar a lousa, a bata branca que era de uso obrigatório.

A mostra dá a conhecer, também, elementos como a bandeira nacional, o mapa de Portugal, com todos os rios, as principais linhas férreas, de conhecimentos obrigatório.

“A aula era iniciada  sempre com uma oração de pé, o cantar  do hino  nacional, rituais quase obrigatórios porque a religião e os símbolos da pátria estavam sempre presentes e faziam parte do sistema de aprendizagem. A palmatória era uma presença também constante assim como a vara, instrumentos que estão banidos, mas que fizeram parte do sistema de aprendizagem à data e são, hoje, elementos que integram a nossa consciência coletiva e a nossa memória”, afiançou.

Sónia Barbosa, da freguesia de Vandoma,  uma das mães que passou pela Escola Básica de Cete, elogiou a organização, a reconstituição da mostra, com todos os elementos, desde o crucifixo,  a régua, e outros elementos que caracterizaram a instrução e o ensino em Portugal neste período.

“É uma excelente iniciativa. A reconstituição está, na minha opinião, muito interessante, parece mesmo uma escola do passado, ainda com muitas semelhanças com a escola do meu tempo”, disse, sustentando que além do convívio que estas atividades proporcionam é fundamental transmitir e dar a conhecer aos mais novos, aos alunos que frequentam as escolas de hoje, o que foi o ensino em Portugal, como era ministrado e quais as dificuldades que os alunos, à data, sentiam.

“Obviamente que hoje o ensino não tem nada a ver com o ensino que era lecionado há vários anos, mas é bom que os mais novos tenham essa perceção”, acrescentou.

Amélia Barbosa, também de Vandoma, ressalvou a importância dos mais novos assimilarem a forma como o ensino era ministrado antes do 25 de abril.

“É evidente que a escola do presente não tem nada a ver com a escola do passado, mas é fundamental que as famílias transmitam aos seus educandos estes valores, fazem parte do nosso passado recente, da nossa história. Estamos a falar de sistemas de aprendizagem que moldaram muitas gerações de pessoas e não podemos perder esse legado”, concretizou.

No programa estão inscritas 62 famílias representantes de 15 escolas do concelho de Paredes.

 

 

 

 

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