“Só é possível manter o festival durante tantos anos, porque nos predispomos...

“Só é possível manter o festival durante tantos anos, porque nos predispomos à mudança e a correr riscos”

Luiz Oliveira, ator e director artístico da Jangada Teatro

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#MRH Martin Henrik - 21 Abril 2016 - A fera amansada - festival internacional de artes e espetaculos Folia 2016, Auditorio Municipal de Lousada

YES Notícias: Quais as principais novidades do Folia 2019 e o que é que distingue a edição deste ano da do ano transacto?
Luíz Oliveira: O tema central do festival este ano é a memória e o Folia já criou muitas memórias ao longo destes 19 anos. Na programação deste ano os espetadores vão poder recordar as composições e as memórias que guarda, Fernando Tordo, dos anos que criou canções com José Carlos Ary dos Santos ou deixar-se influenciar pelos sons do deserto trazidos pelos The Legendary Tigerman.
Para quem quiser assistir no mesmo dia a um casamento, a um funeral e a uma tomada de posse não pode perder o “Hamlet” com a Companhia do Chapitô ou quem quer uma comédia que é um autêntico exercício de memória não pode perder “A Fera Amansada” da Jangada Teatro. Temos também uma Conferência para machos com “Faz-te Homem”, um espetáculo com o António Machado e o João Didelet que promete muitas gargalhadas.
Para as famílias, e numa antecipação do Festival Foliazinho, trazemos “Óscar, el niño dormido”, que nos fala de um menino que está em coma na cama de um hospital e vai precisar da ajuda de todos os que estão à sua volta para saber quem é. Um espetáculo sensacional da Companhia El Espejo Negro, que nos traz uma obra teatral muito premiada, nomeadamente com o prémio de melhor espetáculo de grande formato. Este é um espetáculo muito visual, muito apelativo para as crianças, que não terão dificuldades para “entrar” na cabeça do Óscar e perceber a mensagem essencial.
Para fechar o Folia é a vez de assistirmos a BOCAge com Rita Ribeiro, que vem saborear as palavras do poeta e fazer-nos acreditar que ele é o melhor e mais honesto homem para se amar.
Poderão assistir ainda a sessões de cinema com um filme de Woody Allen, intitulado a Roda Gigante num espaço alternativo, bem perto do auditório.
Teremos, ainda, no átrio do Auditório Municipal de Lousada, a exposição “Logos e Morphe” de Rodolfo Silva bem como um workshop dado pelo mesmo artista sobre Cenografia Pictórica e Composição Teatral.
Queremos dar opções de escolha ao público. Quem quer assistir a um concerto, assiste a um concerto. Quem prefere cinema também o pode fazer, no mesmo dia, à mesma hora.
Renovamos a imagem do Festival e através da página do Facebook pretendemos divulgar de forma mais próxima tudo o que vai acontecer no mesmo.

YN: O festival volta a apostar num programa transversal e diversificado. Considera que esse tem sido o factor chave e a mais-valia do festival?
LO: Sim. Ao longo dos 18 anos do festival, já transcorridos, fomo-nos sempre adaptando a programação às exigências do público. O município de Lousada tem apostado numa vasta programação ao longo de todo o ano, com espetáculos sempre esgotados, nas “Comédias de Outono” e “Noites Acústicas”, que trazem a esta Vila o que de melhor se faz a nível nacional, a preços muito acessíveis, para o grande público. Assim, o Folia não podia ficar à margem desta “onda” cultural que se vive em Lousada e que traz público, não só dos concelhos limítrofes, mas também dos centros de vasta oferta cultural como Guimarães ou Porto. Nesse sentido, com o Folia apostámos na diversidade e qualidade de todos os eventos programados, bem como uma renovação da imagem do próprio festival.

YN: O regresso do cinema ao Folia, era um regresso, podemos dizer, aguardado pelo público cinéfilo?
LO: Esperemos que sim. E esperemos que as pessoas se dirijam ao Puroflow e que lá, de forma gratuita, assistam a este fantástico filme de Woody Allen, Roda Gigante.

YN: A escolha do filme “Roda Gigante” de Woody Allen deveu-se a alguma razão especial? Podemos dizer que o cinema veio para ficar no Folia?
LO: O cinema sempre foi uma das áreas artísticas que fazem parte das premissas do Festival e queremos que regresse e que permaneça. A vida é feita de escolhas, umas exigem mais reflexão, outras mais intuição. Recorrentemente revemos a nossa vida e pensamos nas escolhas que fizemos, se deveria ter sido assim… se seríamos mais felizes se fizéssemos as coisas de outra maneira. Escolher este filme, exigiu reflexão mas também intuição. Este filme fala-nos da viagem que no fundo todos nós fazemos em algum momento da nossa vida e sobre a consequência das nossas escolhas. A personagem principal, interpretada por Kate Winslet desistiu da sua carreira de atriz para se dedicar à vida de mãe e esposa. Que consequências terão as suas escolhas?! E que consequências têm as escolhas que fazemos diariamente?! Um filme para ver e refletir.

YN: O festival conta já com algumas companhias repetentes que ano a ano participam no evento. Esse tem sido, também, um dos factores que têm contribuído para o êxito deste festival?
LO: Repetir uma companhia/artista deve-se à observação do gosto do público e é claro, à qualidade da própria companhia.

YN: Quais as expectativas em termos de público? Por falar em público, sendo este o 19.º Folia, como se justifica que a preferência do público pelo evento ao longos deste anos?
LO: O Folia já tem um público fiel, que foi conquistando ao longo destes 19 anos. Para além disso o que notamos, de um modo geral, é que o público que vem ao Auditório Municipal de Lousada confia na programação do Auditório.

YN: O Folia é, podemos afirmar, uma excepção entre os vários festivais que existem no país?
LO: Mais do que estabelecer uma comparação com outros festivais do país é importante referir que só é possível manter o festival durante tantos anos, porque nos predispomos à mudança e a correr riscos.

#MRH Martin Henrik – 21 Abril 2016 – A fera amansada – festival internacional de artes e espetaculos Folia 2016, Auditorio Municipal de Lousada

YN: Continua a existir público e mercado para este tipo de eventos? O Folia pode ser considerado, também, como um veículo para promover outras companhias?
LO: O público existe como também existe a vontade de promover outras companhias.

YN: Tem contribuído para promover culturalmente o concelho?
LO: Sim. Cada vez mais sentimos esse retorno.

YN:E o Foliazinho quais as principais novidades?
LO: Este ano comemora-se o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen e por isso tínhamos de ter um espetáculo de uma das mais conhecidas obras da autora, “A Fada Oriana”.
Temos também a programação para as escolas como vem sendo hábito, com “Os Piratas”, uma obra de Manuel António Pina e um espetáculo de música e poesia com ciência à mistura intitulado “Entre Estrelas e Estrelinhas este mundo anda às voltinhas” com o José Fanha, Daniel Completo e Carlos Fiolhais.

YN: A formação de públicos jovens continua a ser uma prioridade da Jangada Teatro? Deve ser incrementada pelos actores e agentes políticos locais?
LO: Sim. É o que vimos fazendo desde a génese da Jangada Teatro. Este ano completamos 20 anos de companhia e o caminho que temos feito passa pela formação de público jovem. Desde a formação permanente dos nossos atores lousadenses, à programação do Foliazinho, e o agora mais recente, Curso de Verão. É um trabalho contínuo desde há 20 anos.

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