“Tó Peças”: Um lousadense em prova no Rally de Portugal

“Tó Peças”: Um lousadense em prova no Rally de Portugal

Pelo segundo ano consecutivo, António Dias vai fazer o Rally de Portugal e correr na “casa” onde fez a sua estreia em competições

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Ao seu lado, António Dias vai ter Nuno Rodrigues da Silva que já se sagrou campeão do Mundo do Grupo N como navegador de Rui Madeira

Pelo segundo ano consecutivo o piloto António Dias está a participar no Campeonato de Portugal de Ralis aos comandos do Skoda Fabia R5 e consequentemente integrar a caravana do mundial de ralis, igualmente pela segunda vez.
Natural de Lousada, atualmente a residir em Gondomar, o piloto de 46 anos, conhecido por “Tó Peças” foi atraído para a modalidade como muitos outros lousadenses e no centro dessa paixão está a pista da Costilha.
Ao nosso jornal, António Dias recordou algumas peripécias da sua juventude, tendo sido um dos precursores do fenómeno dos aceleras e as “perseguições” que fazia aos pilotos do mundial de ralis quando estes semanas antes faziam os reconhecimentos dos troços (recorde-se que até à decada de 90, os pilotos faziam esses reconhecimentos em máquinas idênticas às de competição): “Uma semana antes do rali de Portugal eu começava a entrar também em ação e fazia muitos quilómetros de troços atrás dos pilotos. Cheguei inclusive a entrar aqui na Costilha atrás do Carlos Sainz, que era o meu ídolo, e depois tive de fugir”.
Com uma ligação especial com Jaime Moura, mítico fundador e presidente durante duas décadas do CAL, a sua estreia em competição foi impulsionado pelo próprio malogrado dirigente e aconteceu precisamente na pista da Costilha, no ano de 2000 numa prova do Europeu de Ralicross. Com o apoio de Jaime Moura e as indicações do também já falecido Paulo Sérgio, adquiriu um Toyota Starlet 1.3 16v a João Ramos, jornalista da RTP (que também está inscrito neste rali): “Numa semana comprei o carro, fiz a inscrição, tirei a licença e fiz aqui a primeira prova que foi no Europeu de Ralicross, na altura na Divisão 2A , carros até 1.600 e fiz uma excelente participação. Fui o melhor lousadense, o segundo melhor português e oitavo da geral”.
Depois disso, António Dias participou no Campeonato Nacional de Ralicross, integrado na extinta Divisão 1 da Taça, onde conquistou um vice-campeonato em 2006 e campeão em 2007 ao volante do BMW 325 iX 4×4.


Como muitos outros pilotos na altura acabou por abandonar o ralicross devido às alterações nos regulamentos que não foi do agrado da maioria dos pilotos e passou e dedicou-se aos ralis.
Em 2018, António Dias teve a sua primeira experiência no Mundial de Ralis a correr na sua “casa” e no final brindou os milhares de espetadores com uma sessão de “donuts”, um dia que ficará para sempre gravado na sua memória: “Depois de andar anos atrás dos carros dos pilotos ter a oportunidade de estar aqui na pista de Lousada a competir no Mundial de Ralis foi o concretizar de um sonho de menino. As emoções foram tantas quando terminei a Superespecial que até as lágrimas me vieram aos olhos e a minha vontade foi mesmo dar espetáculo para o público, nem estava muito preocupado com o relógio”, prometendo novamente uma condução do agrado dos fãs, sem nunca descurar um bom resultado que vá de encontro às suas expetativas para o Nacional de Ralis: “Primeiro espero deliciar o público com o máximo de atravessadelas possíveis para que eles saiam daqui satisfeitos e o ‘azulinho’ continue a ser o carro que dá espetáculo. Essa é já uma imagem de marca minha e se não tiver qualquer problema com o carro vou andar a fundo e, certamente, vou receber do público o mesmo que eu fazia quando estava do lado de fora”.


O Skoda Fabia R5, que tem um preço de mercado de 200 mil euros, caracteriza-se pela sua cor azul e pelo facto de ser desprovido de publicidade (apenas a da sua empresa, a Tó Peças). Essa falta de apoio continua a ser um handicap para o piloto e tem-no impedido de ser mais arrojado nos troços e de uma luta mais igual com a concorrência: “Continuo a ser um piloto privado em que não tenho ajudas nenhumas. Este é um projeto pessoal e isso implica outro tipo de condicionantes na luta pelo campeonato. Não faço grandes testes, porque cada quilómetro neste carro fica à volta de 40 euros de despesa. Nunca fiz seguro ao carro e isso implica um andamento mais cauteloso e doseado, pois se desfaço um carro destes é o dinheiro de uma casa e não é uma casa qualquer. Temos de ter tudo isso em conta, mas o objetivo para este ano é tentar ficar dentro dos 10 primeiros”.
Sem querer avançar com números, considerando-os escandalosos para os comuns cidadãos, António Dias lá referiu que a participação no Rali de Portugal, a poupar, ronda os 30 a 35 mil euros (divididos por Inscrição, pneus, gasolina, mecânicos e alojamento).
Inicialmente este era um projeto para dois anos, mas António Dias não vai abandonar tão cedo o “bichinho” e para o futuro tem em perspetiva a compra do novo Skoda Fabia, versão 2019, confessando que já viu a máquina e reuniu com o representante da Skoda Motorsport, existindo entendimento nesse sentido. Para isso, espera juntar apoios e rentabilizar o atual carro para o qual já recebeu propostas de aluguer.
Ao seu lado António Dias vai ter Nuno Rodrigues da Silva que tem um vasto curriculum como co-piloto com alguns títulos nacionais, incluindo um mundial (antigo Grupo N) como navegador de Rui Madeira.

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