Um país em estado de emergência

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Esta semana realiza-se na Assembleia da República, o último debate quinzenal da presente legislatura, momento por isso, para se começar a fazer o balanço da acção ( e da omissão) da solução governativa, carinhosamente denominada por “geringonça”.
Consultado o dicionário, verifica-se que “geringonça”, significa, entre outras coisas, “construção pouco sólida e que se escangalha facilmente”, “engenhoca” ou “coisa consertada que funciona a custo”.
E terão estas definições correspondência com o estado do País?
A resposta terá que ser positiva.
A “engenhoca” liderada por Costa e Centeno, coadjuvado pelo conselho de família (ou de ministros) apoiada pela extrema – esquerda pôs a nu uma realidade bipolar, por um lado o “país das maravilhas” segundo a propaganda do regime, e o País negro vivido pela maioria dos portugueses, na óptica do país real.
Chegaram ao governo com a promessa do fim da austeridade, com a baixa dos impostos, sem esquecer o “velho” mote das esquerdas que é “dar tudo a todos”.
E o que aconteceu nestes quatro anos, recorde-se “pós – troika”?
Acabou a austeridade?
Não.
Os impostos desceram?
Não, atingiram máximos históricos.
Os transportes públicos funcionam com normalidade constituindo uma alternativa viável e amiga do ambiente para que se não use o automóvel?
Não, e todos os dias temos notícias de mais supressões na ferrovia, e vemos os utentes transportados como “sardinhas em lata”, e em que a taxa de reclamação pelos cidadãos subiu 25%.
Mas este diagnóstico, faz-me pensar no estado do sector da saúde em Portugal.
Prometeram que todos os Portugueses teriam médico de família.
Têm?
Não.
E o que temos então, olhando o país real temos doentes com cancro sem tratamento, ou com tratamento indigno, como por exemplo no Centro Hospital de Tondela – Viseu, em que os médicos se recusam a operar novos doentes sem que sejam asseguradas as condições mínimas de segurança aos doentes.
Temos hospitais do serviço nacional de saúde incapazes de assegurar resposta dentro dos tempos máximos garantidos porque o Estado não paga os tratamentos, e por falta de pagamento os médicos deixam de fazer cirurgias, por exemplo, pagamentos aos profissionais em 2019 por serviços clínicos prestados em 2017.
A listas de utentes inscritos para cirurgia aumenta, o pagamento pelo Estado Baixa.
No Alentejo, as mulheres grávidas têm que percorrer 80 km para o parto, será gravidez de proximidade dirá o primeiro-ministro entre sorrisos, enquanto temos doentes acamados à espera em macas, nas casas de banho ou nos refeitórios dos hospitais.
Mais perto, em No Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, temos serviços médicos em risco, por problemas com o sistema informático, dado que, por falta de verbas, não é possível fazer a sua actualização, enquanto adiam operações por falta de material básico, tão básico como falta de algodão ou máscaras de oxigénio.
Ironia das ironias.
Temos, pois, um governo a quem, pelo contrário, não faltam máscaras para tapar a realidade, mas a quem falta oxigénio para num sopro dizer a verdade ao País.
E porque o algodão não engana, temos a verdadeira resposta aos problemas da saúde nas propostas do CDS, como por exemplo, no que diz respeito à primeira consulta, apresentada nas últimas jornadas parlamentares do CDS, realizadas no Porto nos dias 3 e 4 de junho em que o tema escolhido foi, a Saúde.
A referida proposta passa pela necessidade de serem fixados tempos máximos de espera para que todos os portugueses que precisam, tenham a primeira consulta médica de especialidade em tempo útil.
Se o estado a não puder garantir o doente, com a intervenção do seu médico de família, terá a liberdade para escolher ser atendido num hospital do sector social ou privado.
Não ser tratado exclusivamente tratado em hospital daqueles sectores, porque, efectuada a primeira consulta, o doente pode regressar ao SNS mas já com a primeira consulta feita, e com melhores possibilidades de ser direcionado e atendido a tempo de sofrer “males maiores”, e o com tratamento mais célere prestado ao doente, melhora a sua qualidade de vida, e sem que esta que se traduza num aumento de despesa para o Estado.
Caro leitor, é chegado o tempo de fazermos em consciência uma reflexão sobre o estado da saúde do nosso país.

Anabela Moreira
CDS Paredes

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