“Vidas em Cena” promove curso de teatro

“Vidas em Cena” promove curso de teatro

Iniciativa vai na segunda edição e permite aos jovens uma ocupação ativa durante as férias de Verão

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A companhia de Lousada Vidas em Cena Produções está a realizar um curso intensivo de teatro, envolvendo 15 formandos, no auditório de Pias, experiência que tem como objetivo desenvolver competências na área das artes de representação.
“Todos os dias é desenvolvido um trabalho muito meritório por três monitores estudantes de teatro e de artes, com excelentes referências e já com algum currículo. Queremos potenciar o crescimento pessoal e artístico destes jovens, dos que orientam o curso e dos que nele se inscreveram. Acreditamos que o teatro potencia a sensibilidade, o pensamento, as capacidades pessoais e sociais e é isso que nos propomos fazer com o curso de verão”, disse Rute Cunha, uma das responsáveis da companhia, salientando que esta é já a segunda edição do curso de verão de Vidas em Cena.
Rute Cunha destacou que a ideia surgiu o ano passado quando perceberam que alguns jovens que colaboravam com companhia e outros, não tinham uma ocupação ativa nas férias. “Outros havia que por carências a vários níveis, não podiam usufruir da oferta existente. Decidimos então fazer um curso de verão, e o que começou como um passatempo, completamente gratuito, acabou por ser uma experiência fantástica de partilha, aprendizagem, união e espírito de missão. Durante três meses, quase ininterruptamente, foram realizados vários workshops pelo nosso jovem encenador Cláudio Pinto”, expressou realçando que o resultado deste curso que contou com 15 jovens, tendo apenas oito concluído o curso.

Projeto acreditado pelo IPDJ

Segundo Rute Cunha, o resultado desta primeira edição, foi a peça “Perfídia Promessa”, exibida cinco vezes, que resultou num sucesso e granjeou adesão entre os muitos seguidores da associação Vidas em Cena Produções.
“Aquela que para mim é a melhor peça de Vidas em Cena até á data é um orgulho e fidelizou alguns dos jovens que nela participaram, estando os mesmos mais uma vez connosco este ano”, concretizou.
Este ano, Rute Cunha revelou que a Companhia Vidas em Cena Produções repetiu a experiência.
“Como associação juvenil conseguimos que este projeto integrasse um programa de ocupação de tempos livres acreditado pelo IPDJ e desde o passado dia 3 de julho até dia 15 de setembro, mais de 200 horas, trabalharemos afincadamente para que o resultado deste curso, com a colaboração do espaço Comvid’arte que também integrará o musical, possa ser um sucesso tão grande ou ainda maior que o do ano passado”, acrescentou, sustentando no final do curso está prevista a realização de um espetáculo Rei Leão, o musical que estreia dia 14 de setembro às 21h30 no auditório de Pias e repete dia 15 às 16h30. O espetáculo contará com a participação dos alunos de ballet da escola de música e dança Comvid’arte.
Sobre a continuidade do curso de teatro, Rute Cunha assumiu que a intenção é dar continuidade e melhorar, apesar das ficiculdades com que o grupo se debate: “Acreditamos que os cursos de verão de Vidas em Cena podem afirmar-se como uma alternativa à oferta existente. Vidas em Cena tem a difícil tarefa de ‘fazer omeletes sem ovos’. A taxa de inscrição é irrisória e não dá para cobrir a despesa com seguros, lanches, divulgação, etc… mas temos conseguido. Com as mesmas condições que outros grupos ou com os mesmos apoios, estou certa de que haveria um incremento do número de inscritos. Somos uma equipa jovem, que se bate todos os dias por Vidas em Cena, fazendo o possível e o impossível para ter uma dinâmica regular e uma oferta de qualidade. Obviamente agradecemos a quem tem estado connosco… nomeadamente a junta de freguesia, a Câmara Municipal, Grecogeste, Tintas LACA e Instituto Português da Juventude, mas ainda muito há a fazer. Para um grupo que só há cerca de um ano conseguiu uma casa graças à parceria com a ARCPias e para uma associação juvenil que não tem apoio de entidades que deviam ser as primeiras a fazê-lo, não fica fácil. Mas acreditamos em nós, e não baixamos os braços. Vamos manter o curso de verão, vamos melhorá-lo e o mesmo faremos com a restante dinâmica”, afiançou, salientando que é expectável que o mesmo curso venha a acontecer noutras freguesias: “Seria uma mais-valia para os jovens que gostam de teatro, mas que não têm possibilidade de se deslocarem ao centro, onde está a oferta. O teatro é uma arte nobre e temos jovens com muito potencial. Acredito que descentralizando a oferta, seriam muitos os que estariam dispostos a frequentar um curso destes”.

“Com trabalho e boa vontade tudo se consegue”

Sobre o trabalho desenvolvido pela companhia Vidas em Cena Produções, Rute Cunha destacou que apesar das sérias dificuldades, nomeadamente com uma casa a precisar de muitas obras e de equipamento, a Vidas em Cena é hoje uma companhia de referência com trabalho feito
“O caminho não tem sido fácil. Damos muito de nós e mesmo nos piores momentos mantemos o foco para que Vidas em Cena prospere. Muitas vezes em detrimento das nossas vidas pessoais, mas por uma causa em que acreditamos. Conseguimos o estatuto de associação juvenil, arranjamos uma casa, estabelecemos parcerias, realizamos o curso de verão, realizamos o nosso primeiro festival de artes do espetáculo, participamos em inúmeras iniciativas, temos teatro social, teatro contemporâneo, teatro de revista… Faltam-nos melhores condições no auditório de Pias, mas com trabalho e boa vontade tudo se consegue. Só posso orgulhar-me, e agradecer a boa vontade e generosidade dos nossos parceiros, o empenho e dedicação dos nossos jovens e associados, agradecer ao anterior presidente Carlos Carvalheiras, ao Luís Falcão e ao Cláudio Pinto. Agradecer também aos pais e jovens que nos escolheram e ao público que nos acompanha”, manifestou, ressalvando que as pessoas sabem quem é e o que faz Vidas em Cena: “Felizmente temos quem se associe à nossa causa e nos apoie, e isso é visível também na adesão às nossas iniciativas”.

“Há muito quem, sem formação, queira e tenha jeito para fazer teatro”

Sobre o teatro amador que é feito em Lousada, Rute Cunha referiu que a companhia conhece os grupos de teatro amador e cada um, à sua maneira desenvolve um trabalho meritório e digno de mais atenção: “Considero que Lousada está muito bem servida, apesar de que quando se fala de teatro em Lousada por vezes se esqueçam estes grupos, cujo trabalho fala por si, sendo tão digno de registo e de lhe serem também direcionados holofotes como ao teatro profissional. Há muito quem, sem formação queira e tenha jeito para fazer teatro, acho que criar condições para que possam ter palco é profícuo para o concelho”, adiantou, reconhecendo que além do Folia existem outros grupos e festivais de teatro amador que são uma referência no concelho: “Acho que há lugar para tudo. O FOLIA é a referência, claro, sendo realizado por profissionais, mas são igualmente importantes e dignos de destaque os restantes festivais, nomeadamente o FESTAC e agora o Pi’Artes, que embora não se fique pelo teatro, tem-no na sua essência. Seria profícuo, que os grupos amadores se juntassem, e criassem algo, afinal estamos todos no mesmo barco, comungamos certamente das mesmas dificuldades e vontades. E pese embora amadores, o TEM, o Linha 5, o Letras 100 Cessar e a Vidas em Cena, têm grandes talentos e fariam com certeza algo digno de registo. Aproveito para lançar o repto. À parte as demonstrações de teatro comunitário levadas a cabo com a Jangada, acho que seria interessante e produtivo”, afirmou, relevando o trabalho do município na dinamização cultural do concelho: “Lousada tem uma oferta cultural excelente. Não falta o que ver ou fazer e deve ser motivo de orgulho para os lousadenses, que já não precisam procurar fora o que têm cá dentro. No entanto, acho que deveria haver uma ação mais concertada, pois alturas há em que fica difícil escolher, e para os pequenos grupos fica difícil ‘concorrer’ com outras iniciativas”.

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