Vila de Lousada regressou ao século XVII

Vila de Lousada regressou ao século XVII

Durante 4 dias cerca de 20 mil pessoas passaram pelo Mercado Histórico

145
0
COMPARTILHE

A Vila de Lousada recriou durante quatro dias uma feira do século XVII, numa reconstituição da época pós Restauração, recuperando a povoação do Torrão, que deu origem à Vila de Lousada, uma povoação rural mas muito marcada pelo movimento mercantil.
Segundo a autarquia, o certame cultural mobilizou cerca de 20 mil pessoas e este ano além da presença já habitual das encenações e das danças, dos almocreves, das tropas, dos correios e outros viajantes que marcaram aquela povoação, foi alargado para quatro dias e expandiu-se para outras artérias da vila, tendo como epicentro a Avenida Senhor dos Aflitos.
Num balanço ao evento, o vereador da Cultura da Câmara de Lousada, Manuel Nunes, realçou a forte da afluência do público.
“Apesar de algumas dificuldades iniciais que a gestão deste tipo de eventos coloca, a afluência de público superou sempre as melhores expectativas, exprimindo que havia uma resposta a dar a uma lacuna na oferta cultural e turística. Associada a esta vertente mais lúdica, houve, desde o início, uma aposta muito clara na afirmação do Mercado Histórico no plano educativo concelhio. As escolas do concelho têm um papel fundamental no plano de animação, para além de envolverem os alunos nas temáticas históricas que ano após ano são definidas, constituindo-se, assim, o evento como uma autêntica aula viva de História”, expressou, sustentando que o balanço do Mercado Histórico deve ser feito no conjunto destas últimas cinco edições e na forma como o evento evoluiu, tendo passado pela Praça Senhor dos Aflitos nos quatro dias do evento cerca de 20 000 pessoas.

Sexta-feira dedicada às escolas

Refira-se igualmente que na sexta-feira, dia especialmente dedicado às escolas, estiveram envolvidas em atuações e em visitas guiadas cerca de 1.500 crianças.
“O crescente envolvimento da comunidade escolar e da população em geral é a expressão desses sucessivos êxitos que acabam materializados em aumento do número de mercadores e um assinalável aumento do número de visitantes”, acrescentou, sustentando que o Mercado Histórico é sucessor de um primeiro evento de recriação histórica realizado na Vila de Lousada no ano das comemorações que assinalaram os 500 anos do Foral de Lousada – 2014.
“Nessa primeira experiência, desenvolvida sob um modelo diferente, ficou claro que havia espaço para um evento destas características na região, contudo seria necessário dinamiza-lo com base nas particularidades da nossa história local e na integração da população. Assim, a primeira edição do Mercado Histórico submetido a este conceito surge no ano de 2015, assumindo a autarquia todas as componentes da organização”, acrescentou.


Falando do alargamento do certame por mais dias, o responsável pelo pelouro da Cultura referiu que as duas últimas edições do Mercado Histórico estenderam-se por quatro dias em vez dos três dias anteriormente estipulados.
“Esta situação foi equacionada em face da existência de feriados próximos da data escolhida para o evento. Portanto, o alargamento a quatro dias pode não se verificar em futuras edições, dependendo de uma análise que se fará em devido tempo. Ainda assim, a experiência destes dois últimos anos revela que o prolongamento por quatro dias tem algum efeito na captação de mercadores, que aderem em maior número, resultando, igualmente, numa maior afluência de público, oferecendo mais opções de visita”, concretizou.
Questionado sobre a perceção que o público tem sobre o certame, Manuel Nunes esclareceu que o alargamento do recinto, com a abertura de novos arruamentos e praças, provocado pela maior participação de mercadores e pela introdução de divertimentos novos e de outros entretenimentos contribui para dar uma maior visibilidade ao evento.
“Daquilo que foi possível depreender, a perceção do público está sintonizada com o que a organização do Mercado Histórico tem observado: para além do aumento considerável da afluência de público, assinala-se o alargamento do recinto, com a abertura de novos arruamentos e praças, provocado pela maior participação de mercadores e pela introdução de divertimentos novos e de outros entretenimentos. Em simultâneo, o público manifesta uma grande adesão aos espetáculos teatrais e ao plano geral de animação do evento. Esta circunstância resulta, cremos, da profunda ligação que tem havido entre a animação e os temas de história local, mas também do entusiástico envolvimento da comunidade escolar e associativa, voluntários e população em geral”, manifestou.

Potencial para continuar a crescer

O autarca relevou, também, que o Mercado Histórico tem potencial para continuar a crescer, sendo já um veículo promocional da vila e do concelho.
“O Mercado Histórico continuará certamente a crescer em termos da qualidade apresentada. O desafio passa sempre por superar em termos organizativos e de gestão do evento, oferecendo melhores condições aos participantes e aos colaboradores. Em termos de animação a intenção passa por continuar a apresentar planos subordinados a temáticas de âmbito local, dando a conhecer a história de Lousada e da região de uma forma lúdica e divertida. No campo da recriação histórica entende-se que a aposta deve ser reforçada, promovendo a presença de ofícios antigos, costumes e saberes”, avançou.
Recorde-se a povoação do Torrão, que dará origem à Vila de Lousada, inseria-se num dos principais itinerários da Idade Moderna, a estrada que ligava a cidade do Porto à região de Basto e a Trás-os-Montes. Era o trajeto preferencial de mercadores, almocreves, tropas, correios e outros viajantes.


Na Rua do Torrão ergueram-se estalagens, tabernas e outras instalações direcionadas para o apoio a viandantes e aos seus veículos e animais de carga – ferradores, carpinteiros, ferreiros, alquilarias.
O contexto de florescimento económico vivido após a Guerra da Restauração levou à criação de dezenas de feiras e mercados entre os finais do século XVII e a primeira metade do século seguinte.
A povoação do Torrão não passou ao lado desta dinâmica e em 1758 a feira quinzenal tinha as suas datas fixadas e era uma das mais concorridas da região, demonstrando a sua criação antiga e completa implantação na rede de feiras e mercados da região. As tabernas abrem os seus balcões para a rua, os almocreves estendem as suas tendas, os artífices e os lavradores acorrem com os seus artigos.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA